Robert Scheidt luta pelo tri inédito na vela

Ao lado de Bruno Prada, velejador entra na água para as regatas da Classe Star em Weymouth

PAULO FAVERO, ENVIADO ESPECIAL, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2012 | 03h06

WEYMOUT - Robert Scheidt começa hoje sua tentativa de ser o maior medalhista olímpico do Brasil. Em Weymout, onde serão realizadas as provas de vela, ele disputará duas regatas da classe Star, ao lado do inseparável amigo Bruno Prada. A prova está marcada para começar às 9h35. Serão dez regatas até a disputa da medal race, no próximo domingo, quando provavelmente o campeão será definido, até pelos critérios de pontuação: neste dia, os pontos valem o dobro e é difícil que alguém chegue com uma larga vantagem.

Com a possibilidade de fazer história e conquistar o inédito tricampeonato olímpico para o Brasil, Scheidt mantém a concentração e não permite que nada atrapalhe seus treinamentos. Ele conquistou a medalha de ouro em Atlanta (1996) e Atenas (2004), e a prata em Sydney (2000) e Pequim (2008). Ou seja, sua pior colocação foi um segundo lugar. Mas nem por isso ele perde o foco. "Quebrar qualquer recorde no esporte é maravilhoso, mas tento pensar apenas no que tenho de fazer naquele dia, não no resultado final", diz.

O velejador sabe que as coisas não serão fáceis. Do outro lado estará a dupla britânica Iain Percy e Andrew Simpson, campeões olímpicos em Pequim, em 2008, quando deixaram os brasileiros com a prata. Só que o respeito é mútuo e, para Simpson, todo cuidado é pouco quando a competição começar. "Nesta prova temos algumas verdadeiras lendas do esporte, como os brasileiros e os poloneses (Mateusz Kusznierewicz e Dominik Zycki). Então não dá para dizer que esperamos vencer.".

A rivalidade é muito grande entre brasileiros e britânicos e se acirrou nos últimos meses, até porque os adversários competem em casa e não querem ver uma festa brasileira em seu quintal. "Somos amigos, conversamos e nos damos bem. A disputa será na água e na terra continuaremos nos respeitando", conta Robert Scheidt.

Um episódio marcante foi quando os barcos se chocaram em um evento-teste em Weymouth, no mês passado. Só que Percy minimizou o problema. "Isso depende das circunstâncias e sempre tentamos evitar colisões, pois os barcos são frágeis. Mesmo sendo adversários fortes, a última coisa que você quer fazer é dar uma trombada."

Caçula da vela. Jorginho Zarif vai fazer sua estreia olímpica em Londres, na classe Finn. Hoje, às 8h, ele será o primeiro brasileiro a entrar na raia de Weymouth. Com apenas 19 anos, sabe que será uma competição para servir de aprendizado para 2016 e acha que se ficar entre os dez melhores já será uma vitória.

Um dos grandes apoios que ele tem nos Jogos é a presença da namorada Patrícia Freitas, que competirá na classe RS:X a partir de terça. Ela também sabe que a companhia é essencial. "É muito bom ter alguém com quem se pode contar o tempo todo."

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