Robert Scheidt não esperava vencer

O iatista Robert Scheidt, de 28 anos, não achou que pudesse ter um reconhecimento tão grande do público brasileiro, especialmente porque o seu esporte, a vela, é disputado distante dos olhos do torcedor e raramente é transmitido pela televisão. "O voto era popular e eu estava concorrendo simplesmente com o Guga, que é um ídolo nacional, e o Nalbert, que estão em esportes que a tevê sempre mostra", afirmou Scheidt, que foi indicado como o melhor atleta do ano do Prêmio Brasil Olímpico, entregue segunda-feira, em festa promovida pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB), na Escola Naval, no Rio. Scheidt não tem dúvida de que este foi um ano especial em sua carreira - o público votou por ver Scheidt falando de suas vitórias e ser informado sobre elas, o que dá ao atleta uma grande credibilidade. Entre outras vitórias de 2001, Scheidt foi pentacampeão mundial da classe Laser e escolhido o melhor iatista do ano pela Federação Internacional de Vela. O atleta não estranha que uma entidade ou o público especializado saibam da importância de suas conquistas, mas não tinha certeza se o público entenderia. Scheidt ainda tem de explicar constantemente sua derrota para o inglês Ben Ainsle no último dia de competições da Olimpíada de Sydney. "Aquilo, a tevê mostrou. Pena que ninguém me viu vencer este ano." O sonho de Scheidt é que "um dia, a vela ainda tenha espaço na televisão, que as manobras possam ser mostradas e que as provas sejam entendidas pelo público". A ginasta Daniele Hypólito foi unanimidade como a melhor do ano entre as mulheres. O COB homenageou os melhores em cada um dos esportes olímpicos da atualidade. Entre os mais antigos, Nélson Prudêncio, medalha de prata no México, em 1968, e de bronze em Munique, em 1972, no salto triplo, levou o recém-criado troféu Adhemar Ferreira da Silva.

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