Robert Scheidt, velejador do Brasil

Navegador só pensa em bater recordes na Olimpíada e se tornar um dos maiores medalhistas do Brasil

PAULO FAVERO, ENVIADO ESPECIAL/LONDRES, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2012 | 03h04

São poucos os brasileiros que podem ser considerados favoritos em Londres. E entre eles está Robert Scheidt, que já ganhou quatro medalhas olímpicas e busca sua quinta. Ao lado de Bruno Prada, ele tentará a sorte na classe Star justamente na casa dos britânicos, seus principais adversários. E garante que tudo foi feito para subir no lugar mais alto do pódio e está otimista.

Você pode igualar Torben Grael como o maior medalhista olímpico do Brasil. Você pensa nisso?

Lógico, quebrar qualquer recorde no esporte é maravilhoso. Seria muito bom e é a consagração da minha carreira, mas tento pensar no que preciso fazer naquele dia, nas regatas e não no resultado final. Isso será reflexo do trabalho no dia a dia. Depois, se vencer, a comemoração é outra coisa: a gente gosta e sabe fazer bem. Estou em um ponto na minha vida, com quatro medalhas olímpicas em quatro participações, e quero muito ganhar mais essa. Ainda tenho essa competitividade, mas sabemos que jogo é jogo, pode-se ganhar ou perder, então vamos entrar com humildade. Isso é importante.

Como está a relação de pesos de vocês?

Na Star é muito importante estar próximo do máximo peso permitido. É uma fórmula: como tenho 82 kg, o Bruno precisa estar no máximo com 112 kg. É preciso haver um equilíbrio entre nossos pesos. A vantagem que temos é que Bruno é mais pesado que eu, então ele fica mais baixo e então nosso centro de gravidade também é mais baixo. E também a maior parte do nosso peso fica na frente do barco.

Como está o barco de vocês?

Esse barco já tem um ano de idade, já tínhamos usado um modelo igual em janeiro de 2011 e gostamos muito. A gente está bem adaptado e a maioria dos barcos da Olimpíada será deste modelo, o Pistar, que foi desenhado por um alemão chamado Mark Pickel. É um barco que rende muito bem quando o vento vem de trás, mas também vai bem no contravento. Para nós, é bom saber que não tem ninguém com nada muito diferente. O importante é chegar nessa semana e ver que não tem mais nada que podemos fazer, o trabalho foi bem feito e agora é execução. E é isso que a gente gosta.

Como você prevê a disputa em Weymouth?

Será uma grande competição, com grandes disputas na Star, e as pessoas irão pensar: por que a classe não pode estar no Rio em 2016? Acho que o vencedor será decidido na 'medal race', que conta o dobro de pontos, sem descartes, então 25% dos pontos serão conquistados ali. A melhor coisa para o evento é ter a disputa até o final. No começo acho que cada um vai fazer seu jogo, mas no final, aí sim, vai ter marcação, será o jogo como tem de ser jogado. É uma disputa entre 16, não apenas entre os dois.

Como você vê a disputa com a dupla britânica, Iain Percy e Andrew Simpson?

Nós somos amigos, conversamos, eles já foram para o Brasil em 2008, antes dos Jogos, e até treinaram com a gente. Depois foram campeões olímpicos e acho que gostaram do treinamento. De lá para cá a gente tem uma relação boa. Os dois são muito bons, ótimos competidores e vamos tentar superá-los. Tivemos até uma colisão entre os barcos tempos atrás, mas faz parte da disputa. Eles vão exigir de nós o máximo e temos de dar o nosso melhor. Sou mais próximo do Iain do que era do Ben (Ainslie), ele sempre respeitou a gente. A coisa realmente é dura na água, no Mundial na França eles vinham liderando, mas na última regata a gente tirou o título deles. Eu já passei por isso, sei que é muito duro perder desta maneira. Eles estão com a faca na boca. A disputa vai ser na água e em terra a gente vai continuar se respeitando, como tem de ser.

Como você viu a decisão de deixar fora dos próximos Jogos Olímpicos a classe Star?

Se ela realmente não estiver no Rio em 2016, ficaremos muito desapontados. Todos verão como serão boas as disputas aqui e no Rio as condições de vento são perfeitas. É um barco potente, que se move muito rápido, e as corridas são muito técnicas. Nós realmente esperamos que a decisão possa ser revista. É preciso convencer o presidente da Isaf (Federação Internacional de Vela), ter alguma ajuda do Brasil na questão, para que a gente possa tentar uma outra medalha lá.

Além de vocês, outros brasileiros tentarão as chances na vela. Quais são as chances deles?

O evento-teste no ano passado é um grande indicativo. Tivemos a Fernanda em quinto lugar, ela que foi medalhista em Pequim, acho que tem uma grande chance de medalha. Ela está muito motivada, ainda mais por ter passado a seletiva contra a Martine Grael, que foi duríssima. Temos o Bruninho Fontes, que também foi quinto lugar aqui no ano passado. Temos o Bimba, que está em grande forma e vem crescendo, está feliz e andando bem. A Patricia Freitas é uma grande surpresa, jovem, foi sexto lugar no último evento, está muito animada e é alguém que pode surpreender. Depois temos o Jorginho Zarif na classe Finn, que está em sua primeira Olimpíada, é um pouco inexperiente e acho que será o momento de ganhar bagagem para a próxima. E por último a Adriana Kostiw, que as chances já são um pouco menores.

Você não vai participar de cerimônia de abertura dos Jogos. Vai sentir falta?

Participar da abertura é bacana, é uma motivação a mais, você sente o espírito olímpico, é uma energia grande que ocorre naquele dia, mas como temos regata no dia 29, e a cerimônia é dia 27, a gente ficaria praticamente uma noite sem dormir. Fica um pouco apertado. Então optamos por não ir, mais pela questão física. Eu já participei de quatro cerimônias, o Bruno participou em Pequim, então acho que está de bom tamanho e estamos tranquilos com essa decisão de não ir para lá.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.