Rodrigo Bastos: confiança no tiro em Atenas

A confiança faz parte da preparação do atirador Rodrigo Bastos, de 36 anos, que representará o Brasil nos Jogos Olímpicos de Atenas. Afinal, desde que retomou o esporte, no fim de 2002, Rodrigo tem conquistado resultados cada vez melhores, como a medalha de prata no Pan-Americano de São Domingos, na República Dominicana. "Estou me preparando bem. Nas Olimpíadas todos os competidores são fortes e podem conquistar medalhas, por isso, também tenho chances." Na próxima semana, o atirador disputará a principal competição antes de embarcar para a Grécia: a etapa da Copa do Mundo de Americana (SP), de 28 de maio a 6 de junho. "Na competição, estarão muitos dos atletas que participarão das provas de tiro em Atenas. É importante para sentir como estão os adversários", disse Rodrigo. O paranaense de Guarapuava começou bem cedo no esporte: aos 12 anos, em 1979, no Clube de Caça e Tiro da cidade natal. Cinco anos depois, especializou-se na modalidade Fossa Olímpica e conquistou o direito de disputar os Jogos de Los Angeles. Porém, os dirigentes da época cederam a vaga para outro competidor. "Alegaram que eu era muito jovem e não poderia viajar com uma arma", lamenta. A frustração só foi apagada em 1988, quando disputou sua primeira Olimpíada, em Seul, e obteve o 7º lugar. "Fiz uma boa prova, mas faltou experiência para trazer uma medalha", relembra. Em 1992, Rodrigo foi obrigado a se dedicar à vida profissional e familiar e decidiu abandonar o tiro. Neste período, formou-se em Odontologia e construiu duas clínicas no Paraná. Com a vida mais estabilizada, a paixão pelo esporte o fez voltar às competições e se surpreendeu com os primeiros resultados. "Retornei porque sei que tenho condições de disputar os Jogos Olímpicos. Mas o bom desempenho no Pan-Americano superou as expectativas." Faltando pouco menos de três meses para o início das competições na Grécia, Rodrigo está mais concentrado do que nunca nos treinos. Além da Copa do Mundo em Americana, disputará a Copa Beretta, na Itália, a Copa Intercontinental, na Bolívia, e outros torneios nacionais. "O esporte é feito de oportunidades. Quando mais se competir, mais chances de se trazer bons resultados." Outro fator que está motivando o atirador é o projeto do Comitê Olímpico Internacional, que vai incentivar a formação de novos atiradores. Para isso, foi inaugurado um estande de tiro em Guarapuava, que já está em funcionamento. "Graças a essa infra-estrutura, poderemos formar uma nova geração de atletas", disse. "No esporte, os melhores resultados só aparecem com investimento, a longo prazo."

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