Rodrigo Pessoa, o técnico linha-dura

Treinador da equipe brasileira nos Jogos Equestres Mundiais prega humildade e [br]disciplina no trabalho

Valéria Zukeran, O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2010 | 00h00

A torcida brasileira que está acostumada a ver Rodrigo Pessoa defendendo o Brasil nas principais competições internacionais agora vai ver o cavaleiro em nova função nos Jogos Equestres Mundiais, que começam no dia 25 em Kentucky, Estados Unidos. Além de atleta, o campeão olímpico também será técnico de saltos na competição, que distribuirá vagas para a disputa por equipes da Olimpíada de Londres. E promete não dar moleza para nenhum de seus comandados, colocando em prática um trabalho fundamentado na "humildade e disciplina".

"Será a primeira vez que serei técnico de forma oficial, mas já faz algum tempo que ajudava os meninos (cavaleiros mais jovens) nas competições", conta Rodrigo. "A diferença é que agora terei mais responsabilidades no treinamento, maior contato com a Confederação Brasileira de Hipismo (CBH), além de estabelecer o programa e o mapa de conduta no trabalho para os próximos dois anos."

Rodrigo afirma que seus métodos não serão muito diferentes dos empregados por seu pai, Nelson Pessoa, nos últimos anos. "Acho que a diferença estará no fato de que estou disposto a trabalhar com mais disciplina. Fazer os cavaleiros entenderem em que ponto eles estão (em relação aos adversários e resultados), de uma maneira mais realista", diz o novo técnico do Brasil. "Nos falta um pouco de humildade e disciplina. Quando falo em humildade, quero dizer que muitos cavaleiros acham ter condições de pleitear uma vaga (na equipe brasileira) quando, no papel, seus resultados mostram que nem em sonho eles estão em posição de reivindicar isso. Essa situação já criou um certo tumulto em outras ocasiões."

Incentivo à criação. O treinador, no entanto, ressalta que, na maioria das vezes, o problema não está na qualidade dos ginetes. "Temos excelentes elementos (cavaleiros) no Brasil. O problema está nos cavalos. Há muito tempo que digo que é preciso investir mais na criação nacional. Já melhoramos nos últimos anos. Cito, por exemplo, o Haras Joter, que por meio de cruzamentos criou cavalos que chegaram a disputar uma Olimpíada e ganhar medalhas, mas precisamos investir em boas éguas, porque sêmen (de cavalos campeões) a gente já consegue com mais facilidade", prega Rodrigo. "Dificilmente teremos o mesmo número de bons cavalos que tem uma França, uma Bélgica, uma Holanda, países de muita tradição no hipismo, mas é preciso investir, acreditar, pensando em animais para Mundiais ou que se classifiquem para Olimpíadas."

Como técnico, Rodrigo se propõe a abrir as portas da equipe brasileira a quem quiser trabalhar com disciplina e afirma que a dedicação dos aspirantes será recompensada de forma justa. "Não vai ter favoritismo, nem política. O esforço será o mais importante", garante.

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