Imagem Luis Fernando Verissimo
Colunista
Luis Fernando Verissimo
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Roedor

Quase vimos a primeira cena de canibalismo numa Copa do Mundo, ontem. O Suárez começou dando uma dentada no ombro do italiano Chiellini e ninguém sabe onde ele iria parar. A Fifa deve punir o jogador uruguaio principalmente para que não se crie um precedente e comece todo mundo a tentar comer o adversário. Como tem uma cara de roedor, o Suárez talvez tenha sucumbido a um impulso atávico, mas isso não o desculpa.

Luis Fernando Verissimo, O Estado de S.Paulo

25 de junho de 2014 | 02h02

Mistério. Para onde vai o futebol quando deixa um jogador? Às vezes, a perda é explicável. Uma contusão mal curada, um drama familiar, um amor perdido, uma súbita angústia existencial, ou simplesmente velhice. Mas nenhum destes parece ser o caso dos dois maiores exemplos atuais de jogadores cujo futebol desapareceu: Paulinho, da seleção brasileira, e Forlán, da seleção uruguaia.

Paulinho, dizem todos, foi o melhor jogador da seleção que venceu a Copa das Confederações no ano passado. De grande presença num campeonato passou a grande ausência em outro. Que se saiba, não houve nenhum trauma na vida do Paulinho, de lá para cá. Nada que justificasse a sua queda. Qual é a explicação? Dizem que futebol não se desaprende. Que é como andar de bicicleta - quem aprendeu nunca esquece. É verdade que, se eu montasse numa bicicleta hoje, saberia o que fazer em tese, mas não conseguiria dar uma pedalada sem a ajuda de familiares, amigos e, talvez, o corpo de bombeiros. Mas o Paulinho é um jovem. Está em perfeitas condições físicas. Que fim levou seu futebol?

O Forlán é um exemplo ainda mais intrigante. Há quatro anos, na África do Sul, ele foi o melhor jogador da Copa. Liderou o time do Uruguai até quase a final e fez de tudo em campo, com garra e elegância. Quando o Internacional de Porto Alegre o comprou da Internazionale de Milão, foi pensando que ele ainda era aquele. Por alguma razão, não era mais. Na própria Internazionale ele tinha ficado mais tempo no banco do que no campo. Com 35 anos, Forlán tem a desculpa da idade que Paulinho não tem, mas já faz alguns anos que seu futebol desapareceu por completo. Pode ser que ele ainda volte ao time do Uruguai nesta Copa, e pode ser que ainda brilhe. Seria uma espécie de ressurreição, mas pouco provável. Mistério.

VERISSIMO

Tudo o que sabemos sobre:
Luis Fernando Verissimo

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.