Jeff J. Mitchell/Reuters
Jeff J. Mitchell/Reuters

Rogge cobra pressa ao Rio em obras para Jogos de 2016

Presidente do COI fez alerta especial à situação do aeroporto internacional do Rio

JAMIL CHADE, Agência Estado

10 de julho de 2013 | 13h40

GENEBRA - Em sua última entrevista coletiva às vésperas do fim de seus 12 anos no comando do Comitê Olímpico Internacional (COI), Jacques Rogge fez um alerta ao Rio e pediu, nesta quarta-feira, que as obras para os Jogos de 2016 sejam aceleradas, principalmente o aeroporto. Mas, assim como fez a Fifa em relação à Copa do Mundo, ele opta por se distanciar das críticas no Brasil em relação aos custos do grandes eventos esportivos e aponta que não foi ele quem pediu para que o governo usasse dinheiro público na Olimpíada.

Para Rogge, a utilização de "dinheiro público é uma decisão soberana de cada governo que organiza os Jogos". Ou seja: o uso de dinheiro público não foi um pedido nem uma exigência do COI ao Rio.

Quatro anos depois que o Rio recebeu o direito de sediar o evento, a cidade ainda não sabe qual será o orçamento do evento. Em 2009, falou-se que poderia custar R$ 27 bilhões em obras e mais US$ 7 milhões na parte operacional. Mas ninguém duvida que o valor agora será superior.

A atitude de Rogge é similar a que foi adotada pela Fifa durante a Copa das Confederações diante dos protestos nas ruas, insistindo que não foi a entidade quem pediu para levar o evento ao Brasil e não foi ela quem exigiu os investimentos que o País está fazendo.

O belga deixa seu cargo em setembro, quando ocorre a eleição para o futuro presidente da entidade. Entre seus principais legados está a decisão de levar o evento pela primeira vez à América do Sul, no Rio, em 2016.

Mas, no COI, nem todos pensam como Rogge. Parte da entidade e os próprios candidatos ao comando estimam que as queixas dos brasileiros "precisam ser escutadas". Os novos dirigentes chegam a declarar que a entidade terá de modificar a forma pela qual as cidades são escolhidas.

Rogge, porém, prefere dar como solução às críticas uma maior comunicação para que os benefícios do evento sejam explicados. "Investimentos públicos não são para o curto prazo ou para as semanas dos Jogos ou o mês da Copa. Os investimentos são para longo prazo e vão ajudar as comunidades", declarou.

Questionado se não temia ser alvo dos mesmo protestos que a Fifa sofreu no mês passado, Rogge insistiu que a solução é "explicar ao público que os investimentos irão gerar um legado sustentável". "Os Jogos são para o bem e ajudam a sociedade. Isso precisa ser explicado", declarou, aproveitando para destacar que também aposta que a Copa do Mundo será um "grande sucesso".

COBRANÇAS

Se Rogge deixa o poder, ele não sai sem antes fazer um alerta ao Rio. "Os trabalhos tem caminhado. Mas há muito o que deve ser obtido antes de 2016", alertou. "Estamos pedindo que acelerem (os trabalhos)", insistiu.

Um dos pontos de preocupação de Rogge é o aeroporto internacional do Rio. "Pedimos que haja uma aceleração do aeroporto", insistiu. O COI teme que, diante de uma infraestrutura pouco adequada para receber turistas, o evento se transforme apenas em uma festa brasileira.

A Infraero garante que as reformas estão ocorrendo, justamente para aumentar a capacidade dos terminais e poder receber mais de 44 milhões de passageiros por ano.

Rogge ainda contou como o COI chegou a estar preocupado com a falta de avanços nas obras para a área das disputas do golfe da Olimpíada, algo que já teria sido resolvido, e ainda apontou que a questão da segurança num evento dessa dimensão será "sempre uma prioridade".

FIM

Mas o belga não se arrepende de ter levado o evento pela primeira vez para a América do Sul. "Continuo otimista e não há questão sobre a qualidade dos Jogos".

Sempre sério e com um ar de monarca, Rogge deixa o COI numa situação bem mais confortável do que aquela que ele assumiu. O belga limitou o número de esportes e atletas nas olimpíadas, justamente para que os custos do evento fossem mantidos a um certo nível.

O projeto de adicionar um novo esporte em 2016 foi abandonado nesta semana, justamente para evitar o que Rogge chama de "inflação" nos custos do evento.

Pelo menos quatro modalidades pediam a introdução de novas disciplinas: a federação de ciclismo queria a disputa do BMX estilo livre. No triatlo, a meta era revezamento misto. O judô queria disputa por equipes. Mas o grande favorito era o basquete 3x3.

Rogge, porém, não sairá sem mais uma decisão a ser tomada: a escolha da sede de 2020. Tóquio e Madri aparecem como as favoritas. Mas Istambul quer entrar para a história como a primeira a levar os Jogos para uma região do mundo que jamais sediou o evento esportivo, algo que atrai Rogge.

Tendo conduzido seis edições dos Jogos Olímpicos, Rogge deu neste mais um sinal de sua diplomacia: garantiu que jamais irá declarar que um evento foi o melhor da história.

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