Rojões, papel picado, músicas e gafes na festa

Comemoração foi marcada por muita criatividade do torcedor e por deslizes do presidente Andrés Sanchez

Anelso Paixão e Fábio Hecico, O Estadao de S.Paulo

13 de dezembro de 2008 | 00h00

A presença de Ronaldo no estádio corintiano, a Fazendinha, provocou um verdadeiro frisson entre os torcedores na manhã de ontem. A criatividade da torcida Gaviões da Fiel para criar cânticos ficou clara desde o primeiro momento em que as arquibancadas foram abertas. Ironizando a torcida flamenguista, que ficou na bronca por Ronaldo ter feito a recuperação física no clube e depois acertado com o Corinthians, ou louvando o craque, a organizada não se calou um minuto sequer."Não é mole não, Ronaldo é mais um louco pra jogar no Coringão", "ão, ão, ão, é Dentinho e Dentão", "el, el, el, Ronaldo da Fiel", "ei, você aí, começa a fazer festa que o Ronaldo vem aí", ou ainda outros refrões impublicáveis provocando torcedores rivais foram ouvidos durante toda a manhã na Fazendinha.A festa corintiana, como não poderia deixar de ser numa grande comemoração popular, também teve suas gafes. O presidente Andrés Sanchez foi responsável por duas delas. A primeira, ao anunciar em alto e bom som que Ronaldo era o "pratagonista" da festa, e outra ao espocar a champanhe contra seu próprio rosto e se limpar com o terno que vestia.As presenças da Miss Fiel, Ana Paula Minerato, e da apresentadora Sabrina Sato, da Rede TV, ao lado do craque também provocaram algum constrangimento, assim como o fato de Ronaldo se sentir obrigado a vestir a camisa da Gaviões da Fiel, a influente torcida.Apesar da comoção, nenhum incidente foi registrado, segundo a Polícia Militar. Oito mil pessoas tiveram espaço de sobra no estádio para se divertir, mas a impressão que ficou é que a falta de tradição no Brasil de eventos de apresentação de jogadores provocou hesitação no torcedor. Como o roteiro teve alguma antecipação - a entrevista coletiva começou 5 minutos antes das 11 horas e durou menos do que se esperava -, Ronaldo acabou indo para o campo antes do previsto - o ingresso marcava 13 horas (leia mais ao lado) e o craque entrou no gramado exatamente às 12h03, com direito à tradicional. Nove minutos depois, às 12h12, o jogador descia para o túnel e o torcedor ficava com a estranha sensação de quero mais. Durantes alguns minutos, todos permaneceram sentados na arquibancada. Depois, foram se levantando e saindo sem entender bem se a festa tinha mesmo terminado.RONALDO EM CAMPOO ponto alto do rápido evento foi a entrada do craque em um tapete preto estendido sobre o gramado. Vários canhões de fogos explodiram em seguida, assustando o jogador e fazendo uma verdadeira chuva de papéis picadas e fitas roxas, pretas e brancas. O hino do Corinthians encobriu por alguns segundos os gritos da arquibancada. O presidente anunciou que o craque agora era daFiel e o jogador agradeceu rapidamente toda demonstração de carinho. Pegou o microfone, disse algumas palavras que os gritos encobriram e depois percebeu que o que o torcedor menos queria era ouvir sua voz. Naquele momento, sua presença bastava, à espera do dia em que finalmente vai estrear com a camisa alvinegra e iniciar sua história no clube.

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