Roma em alerta para receber 25 mil ingleses

Autoridades prepararam plano de emergência para evitar conflitos envolvendo torcedores do Manchester; final é amanhã contra o Barcelona

Antero Greco, O Estadao de S.Paulo

26 de maio de 2009 | 00h00

Roma pega fogo nesta semana. Andrea Bocelli fez show ontem à noite, no Coliseu, em benefício das vítimas do terremoto na região de Abbruzzi. Milhares de turistas anteciparam férias e invadiram a cidade em hordas de sotaques e costumes diferentes. A temperatura de uma hora para outra saltou dos habituais 26, 27 graus, em fim de primavera, para 34, numa prévia preocupante do que pode ser o verão. Além disso, as autoridades se movimentam para garantir segurança para os ministros da Justiça do G-8 e União Européia que têm encontro marcado na cidade. Mas o que torna mesmo a capital da Itália escaldante e a faz tornar aos tempos de "caput mundi" é o duelo entre Barcelona e Manchester United, amanhã à noite (15h45, de Brasília), no Estádio Olímpico. O tricampeão inglês desembarcou ontem em Roma. O confronto pelo título europeu tem peso de decisão de Copa - com preocupação proporcionalmente grande. Há semanas foi preparado plano de emergência para evitar tumultos e garantir a paz de quem veio torcer ou apenas passear. O que se teme, no fundo e sempre, é o comportamento dos ingleses. Estima-se que em torno de 25 mil desembarquem entre hoje e amanhã - seis mil deles sem bilhetes.O grupo dos que vêm na raça, na esperança de achar ingressos ou simplesmente para fazer farra, tira o sono dos italianos, zelosos por mostrar organização impecável. Já se insinuou a possibilidade de brigas com os "ultrás" da Roma (a parte mais violenta das Organizadas) com os fãs do Manchester por causa de rivalidade surgida em jogos recentes pela Copa dos Campeões. Para fechar o cerco aos briguentos, haverá atenção redobrada na Stazione Termini (central ferroviária) e redondezas, Piazza Navona, Pantheon, Via Veneto e avenidas de acesso ao estádio. Calcula-se que 1.500 agentes estarão espalhados pela cidade. Também haverá colaboração das polícias de Espanha e Inglaterra especializadas em eventos esportivos.Apela-se também para a lei seca. Amanhã, em muitas regiões da cidade será proibida a venda de bebida alcoólica. Na prática, isso é decisão para inglês sem ver, trocadilho à parte... Pois uma marca de cerveja, patrocinadora do evento, espalhou por bares, restaurantes e supermercados uma edição limitada justamente para comemorar a final do torneio. Também não se pode imaginar britânicos a perambular por Roma sem seu combustível preferido. Apesar disso, Roma não será militarizada, garante a prefeitura. A intenção dos italianos é a de não abrir a guarda para hooligans e ao mesmo tempo não manchar a imagem de hospitalidade. O "prefetto" (uma espécia de administrador) Giuseppe Pecoraro garante que não haverá dificuldade para quem quiser apenas participar de uma manifestação esportiva extraordinária. Ele adverte, porém, que a intervenção dos responsáveis pela segurança será imediata e intensa.Ingressos não existem mais há muito tempo. Mesmo assim, podem ser encontrados, aqui e ali, nas mãos de cambistas. O que valia 150 euros uma arquibancada (cerca de R$ 424) pode custar dez vezes mais. E há quem se mostre disposto a pagar qualquer preço. O risco de topar com ingressos falsos é enorme. Os comerciantes é que esfregam as mãos - hotéis estão lotados e já no começo da noite de ontem grupos com camisas do Barça ou do Manchester já circulavam pela cidade. Muitos foram ver a taça (com todo jeito de réplica) exposta ao lado do Coliseu, sob o Arco de Constantino. Verdadeira ou não, roubou por alguns instantes o brilho que sempre há no pomposo símbolo do poder dos antigos romanos. Os de hoje querem mais é saber de euros no caixa, independentemente da torcida que fará a festa pela vitória em campo. A Copa dos Campeões é um grande negócio.

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