Andre Dusek/AE
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Romário ganha direito sobre 4 atletas do Vasco

Ele cobra R$ 58 mi do ex-clube e obtém 5% dos direitos econômicos de Dedé, Nilton, Eder Luis e Felipe Bastos na Justiça

GUSTAVO ZUCCHI , ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2012 | 03h04

Romário comprou uma nova briga com o Vasco. Pleiteando uma suposta dívida que o seu ex-clube teria referente a salários, direitos de imagem e outros valores, o ex-jogador e agora deputado federal ganhou na justiça a penhora sobre porcentual de 5% sobre os direitos econômicos dos jogadores Dedé, Eder Luis, Nilton e Felipe Bastos, além do mesmo montante sobre patrocínio e cotas de televisão.

Correndo o risco de ver parte dos direitos de quatro de seus principais jogadores irem para o bolso de Romário, o clube carioca promete agir rapidamente não só para acabar com a dívida, mas para receber de volta o que foi já pago ao ex-jogador.

O caso envolve valores na casa dos R$ 58 milhões e começou em maio de 2004, quando o então presidente vascaíno Eurico Miranda assinou, juntamente com o Clube dos 13 e o presidente do Conselho Deliberativo do clube, uma confissão de dívida, prometendo pagar na época cerca de R$ 23 milhões. Desde então até a eleição de Roberto Dinamite, em 2008, Romário recebe dinheiro do Clube dos 13 referentes à dívida (cerca de R$ 10 milhões). "É estelionato do Romário com o Eurico Miranda", classificou o vice-presidente de futebol do Vasco, José Hamilton Mandarino.

A decisão tomada ontem pelo juiz Mauro Nicolau Junior, da 48.ª Vara Cível do Rio, não é definitiva. O clube entende que, apesar da confissão ter valor judicial, o montante ali expresso pode e será contestado.

Exagero. Segundo o advogado do clube, Marcello Macedo, além das quantias pleiteadas na justiça estarem muito acima do que o jogador recebia na época (cerca de R$ 150 mil mensais), não há nenhuma prova de dívida com Romário. "Pedimos para ser apresentados documentos que comprovem esses compromissos. Não há nem um pequeno indício que devemos" explicou. Macedo disse que foram procurados possíveis contratos de imagem do jogador no clube, mas não foram encontrados.

Do lado de Romário, o advogado Fernando Zacharias afirma que as provas serão apresentadas na hora necessária.

"A decisão foi normal, mas sem dúvida satisfatória", disse Zacharias. Em relação aos atletas envolvidos foi uma escolha da acusação.

"Inicialmente pedimos para serem penhorados os direitos do Dedé, Rômulo e Diego Souza, mas eles (Diego e Rômulo) foram embora antes. Buscamos então atletas jovens e com potencial." Os valores ainda estão longe dos R$ 58 milhões esperados por Romário. Caso permanecesse, por exemplo, com apenas 5% de cada um dos quatro jogadores, seria pouco mais de R$ 3 milhões. "Nem de longe o montante garante a execução da dívida", falou o advogado.

Caso se confirme a penhora e a venda dos jogadores não se concretize (por causa de aposentadoria ou final de contrato) Romário buscará outras fontes para obter o valor que acredita ter direito. Diz também não temer um possível processo por parte do clube. "É um direito do Vasco. Daí até você reconhecer do judiciário que tem razão é um longo caminho", falou Romário.

O Vasco, amparado pelo parecer por dois ex-juízes do STJ, vai tentar anular o processo. Sobre uma resolução pacífica Macedo garante: "Já sentamos para conversar com ele, afinal é um ídolo, mas não dá para aceitar débito que não existe".

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