Romário recua nos ataques a Ricardo Teixeira

Deputado federal visita o Comitê Organizador Local e dá sinais de que vai amenizar nas críticas ao Mundial no Brasil

SÍLVIO BARSETTI / RIO, O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2011 | 03h06

Depois de vários meses em rota de colisão com o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, o ex-jogador e atual deputado federal Romário (PSB-RJ) começou a dar sinais de estar próximo de um entendimento com o dirigente, que também comanda o Comitê Organizador da Copa (COL) de 2014. Romário encontrou-se ontem com Teixeira e Ronaldo Fenômeno. Os três conversaram por duas horas na sede do COL, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, e Romário se deu por satisfeito ao ouvir explicações de Teixeira sobre o funcionamento do comitê.

"Queria saber entre outras coisas qual vai ser o papel do Ronaldo (convidado para ser conselheiro do COL) e isso foi esclarecido", contou Romário, em entrevista ao lado de Ronaldo, que estreava como dirigente do COL. "Vamos mostrar pouco a pouco tudo o que a gente quer fazer. Vivemos períodos nos últimos dias de notícias distorcidas, falsas, mas a gente quer tudo o mais transparente possível", disse Ronaldo. "Foi um prazer ter mostrado as instalações do COL ao Romário."

O encontro durou quase duas horas. Logo em seguida, Romário e Ronaldo concederam rápida entrevista coletiva. Antes, num gesto de afago ao deputado, Teixeira fez um agradecimento público pela presença dele na sede do comitê organizador.

Romário negou que possa ser o terceiro nome do conselho criado pelo COL para comandar o comitê - Ricardo Teixeira e Ronaldo são os dois definidos até agora. "Se for feito um convite, não vou poder aceitar. Tenho compromisso com quem votou em mim até o início de 2015."

Para Romário, que trocava gozações com Ronaldo a todo instante, as explicações sobre o andamento das obras do Mundial de 2014, transmitidas por Teixeira, foram convincentes. "Fiquei feliz de saber de muitas coisas das quais eu não tinha conhecimento", declarou.

Ele ressaltou também que não tem nada contra Ricardo Teixeira e Ronaldo, a CBF e o COL. "Hoje (ontem), saio daqui bastante consciente da responsabilidade da CBF e do COL e do que Ronaldo pode fazer para que as coisas andem melhor", disse Romário, para quem Ronaldo "está dando uma cara diferente ao COL, uma credibilidade".

A reunião ocorreu a pedido de Romário. Nos últimos meses, ele ficou na linha de frente de combate a Ricardo Teixeira. Defendeu investigação a fundo de denúncias de corrupção contra o presidente da CBF, que vieram à tona recentemente e se referem a um suposto esquema descoberto pela Justiça da Suíça, envolvendo milhões de dólares nos anos 90 e que envolveria diretamente Teixeira e seu ex-sogro João Havelange.

Em audiência pública de Teixeira em novembro no Congresso Nacional, Romário chegou a sugerir que ele renunciasse à presidência do COL e da CBF.

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