Ronaldinho está de volta ao atletismo

Ronaldo da Costa, aos 32 anos, está de volta ao atletismo. O sonho de disputar a maratona nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004, mais o apoio da Mizuno, com quem acaba de fechar um contrato de patrocínio, da mulher, Lucília, e da filha, Victória, de 2 anos, podem tirar Ronaldo da "depressão" dos últimos três anos. Ronaldo, de 1,67 metro e 54 quilos, é dono da quarta melhor marca de todos os tempos na maratona (2h06min05), obtida em Berlim, Alemanha, em 20 de setembro de 1998, na época, recorde mundial. Depois disso, ele viu-se envolvido em problemas pessoais e profissionais e não obteve mais resultados significativos - na maioria das vezes, não completou as maratonas que disputou, como as de Fukuoka, em 2000, e Beppu, em 2001, ambas no Japão. Após Berlim, seu melhor resultado, 2h19, foi em Praga.De visual novo - completamente careca -, Ronaldinho retorna ao atletismo neste domingo, na Meia-Maratona de Bogotá (21 quilômetros), e espera repetir a história de superação de um outro Ronaldo, o do futebol. O fundista segue nesta quinta-feira para a Colômbia também para treinar na altitude de Paipa, a 3 horas de Bogotá, antes de correr outra meia-maratona no mesmo país, em Medellín, dia 8. "O problema não são as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), mas correr e treinar na altitude", brinca Ronaldinho. O fundista tem boas lembranças de Paipa - foi lá que se preparou quando venceu a São Silvestre de 1994.Ronaldinho ainda deverá correr a Volta da Pampulha, em Belo Horizonte, e a Meia-Maratona de Newcastle, na Inglaterra, antes de decidir se disputará uma maratona (42.195 metros) tradicional, em Nova York ou Curitiba. "Quero começar de novo. Quero estar bem treinado. Preciso de uma seqüência de treinos de dois, três meses, e de um planejamento de provas", afirmou o atleta, em São Paulo, na sede da Mizuno. Para ganhar ritmo de corrida, Ronaldinho conta com a ajuda de um garoto de 17 anos, Samuel Nogueira, seu vizinho em São João de Nepomuceno, em Minas Gerais (perto de Descoberto, onde nasceu), que acompanha seus treinos de bicicleta. "Foi a forma que arrumei para ditar o ritmo e manter a concentração."Enquanto treina em Bogotá, Alice Satt, da Mizuno, vai buscar um espaço, com infra-estrutura voltada para o atletismo, para receber Ronaldinho, em parceria com a marca de material esportivo. Seu técnico continua sendo Carlos Alberto Cavalheiro, que passa parte do tempo no Rio e parte nos Estados Unidos.Problemas - O fundista foi recebido como herói quando bateu o recorde mundial da maratona. Ronaldinho não atribui o que aconteceu em seguida às pressões da fama, mas à fatalidade. "Os problemas ocorreram num momento que não podia, mas... são coisas da vida."O atleta enfrentou uma separação, respondeu a processo por uma carteira de motorista falsificada (que teria recebido de um homem que se dizia policial e lhe cobrou R$ 200,00 pelo documento), contusões e dengue, que contraiu no Rio, em fevereiro deste ano. "Teve uma época em que ninguém podia falar comigo de corrida, eu não queria nem ouvir. Uma vez eu fiquei duas semanas em casa, sem sair do quarto, sem falar com ninguém, só vendo televisão, ouvindo notícias..."Agora, o fundista não quer prometer resultados e insiste que eles sairão "com uma boa seqüência de treinos", o que não vinha fazendo. "Eu treinava uma semana, parava...", lembrou. Garante que já começou a tal seqüência, à qual dará continuidade na Colômbia. O atual recorde, do norte-americano Khalid Kannouchi, de 2h05min38, obtido em Londres, em 14 de abril (esta foi a segunda melhor marca do fundista na prova), é considerado excepcional por Ronaldinho. "Ele é um fenômeno. Não é fácil correr duas vezes para o recorde."Ronaldinho tem a satisfação de ter aberto caminho para corredores cada vez mais rápidos na maratona - foi o primeiro fundista a fazer o quilômetro em menos de três minutos na segunda metade da prova. Hoje, os primeiros 50 do ranking de todos os tempos correm a maratona em menos de 2h08. "Isso tudo é passado, é bom, mas agora quero olhar para a frente."

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