Ronaldinho: gol, título e muita ginga

Craque gaúcho é o herói do Fla na conquista da Taça Guanabara contra o Boavista: 1 a 0 no Engenhão lotado

Sílvio Barsetti, O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2011 | 00h00

Pela primeira vez em 13 anos de carreira, Ronaldinho Gaúcho ergueu o troféu de campeão como capitão de um clube. Deve a honra ao Flamengo, que conquistou a 19.ª edição da Taça Guanabara ao vencer o Boavista por 1 a 0. O gol do título veio numa cobrança de falta, especialidade de Ronaldinho desde o Mundial de 2002, quando encobriu o goleiro da Inglaterra, virou o jogo para 2 a 1 e levou o Brasil à semifinal da competição. No lance que encantou os mais de 40 mil rubro-negros que lotavam ontem o Engenhão, Ronaldinho Gaúcho foi o autor de uma cobrança perfeita - a bola passou entre a barreira e caprichosamente fez uma curva que enganou o goleiro do Boavista.

"Era tudo o que eu mais sonhava ultimamente. Ser campeão pelo Flamengo", disse Ronaldinho, antes de receber a taça.

Com o resultado, o Flamengo assegurou presença na final do Campeonato Carioca, desde que não vença também o segundo turno (Taça Rio). "Isso é só o início de um projeto que vai dar muitos frutos. O time foi melhor e mereceu ser campeão, pela campanha invicta", disse o técnico Vanderlei Luxemburgo.

Os flamenguistas chegaram cedo ao estádio. Nas imediações do Engenhão, faixas de campeão da Taça Guanabara nas cores vermelha e preta eram vendidas a R$ 10. Muitos torcedores, porém, assistiram ao jogo com o adereço guardado. Precavidos talvez pelas atuações irregulares do time neste começo de 2011 e ainda desconfiados do potencial de Ronaldinho Gaúcho. O craque foi decisivo e isso basta numa partida que vale título. Quem quiser ser mais rigoroso na análise da produção de Ronaldinho, pode concluir que ele ainda está longe do jogador que chamou a atenção do mundo antes mesmo da Copa de 2002, no Japão.

Ronaldinho acertou dois passes à distância, errou em dribles e surpreendeu ao desperdiçar um ataque após "dominar" a bola na canela. Nunca, é verdade, se esquivou das jogadas. O esforço físico foi compensado na cobrança de falta. Antes do gol, o Flamengo era moroso, não criava nada e irritava a torcida.

O Boavista, satisfeito com a presença na final do primeiro turno, se defendia bem e buscava contra-ataques, que nasciam nos pés de Leandro Chaves, melhor da equipe. O time de Saquarema, na Região dos Lagos, é limitado tecnicamente e debutante em final de turno do Carioca. Mas teve o mérito de eliminar da Taça Guanabara o atual campeão brasileiro, o Fluminense. "Fomos muito bem, jogamos com brio e competência", disse o técnico do Boavista, Alfredo Sampaio.

Samba e marchinhas. Por todo o Rio, houve foguetório e festa logo que o árbitro Marcelo de Lima Henrique encerrou a partida. Blocos pré-carnavalescos que desfilavam pela cidade passaram a entoar o hino do Flamengo, mesclado com marchinhas de carnaval e sambas-enredo. Ainda no Engenhão, a presidente do Flamengo, Patricia Amorim, emocionada, bradava que seu clube ganhou dois títulos de ponta no futebol em apenas uma semana. Referia-se em parte à decisão da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), anunciada na última segunda-feira, de dividir o título de campeão brasileiro de 1987 entre Sport e Flamengo.

"Acertamos na vinda do Ronaldinho Gaúcho, sempre tive certeza disso, aí está a prova", afirmou Patricia, abraçada a Leonardo Moura, outro destaque do Flamengo e também fã de Ronaldinho. "Ele agrega, traz alegria à equipe e é um excelente jogador, muito talentoso", disse o lateral.

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