Ronaldo, de novo, tem a missão de empurrar colegas

Recuperado de contusão, atacante volta ao Corinthians em Goiânia para dar mais confiança e força ao grupo

Fábio Hecico, O Estado de S.Paulo

05 de dezembro de 2010 | 00h00

O nome dele não é o mais gritado pelos corintianos por acaso. Ronaldo realmente faz valer o apelido de Fenômeno quando está em campo. Faz gols, dá passes precisos aos companheiros, inibe os adversários... Mesmo ainda sem ritmo ideal, para muitos, gordo, ele é diferente e tentará provar no Serra Dourada que tem estrela. "Sinto que o grupo precisa muito de mim, minha presença em campo fortalece o grupo e comigo fora, isso se tornaria um problema", diz, ao definir sua escalação. Num sacrifício enorme, ainda sofrendo com dores, ele chamou a responsabilidade após ver o grupo abatido em série de sete jogos sem triunfos, jogou todos para cima em discurso emocionado e sincero e, ao lado do time, no campo, o ajudou a ter arrancada incrível.

O Corinthians "voltou" à briga pelo título puxado pelo camisa 9, que hoje tenta dar sua terceira volta olímpica com o Alvinegro. "O título sempre é importante, motivo de orgulho, gratificante, seria maravilhoso se tudo desse certo. Vamos confiar. Mas o mais importante será fazermos nossa parte. Ir para Goiânia e conseguir nossos três pontos para, depois, ver o que aconteceu no Rio", prega, pedindo concentração ao grupo. Ganhar no Serra Dourada confirma, ao menos, o segundo lugar. O título só virá caso o Guarani não perca do Fluminense no Engenhão.

"Nos últimos anos, esse é o campeonato mais disputado, até a última rodada com emoção, sendo incrível, emocionante para o público, para o torcedor, para nós que jogamos... Tenho certeza de que vai sair vencedor quem tiver merecido mais. Mas desde já os três primeiros (Fluminense, Corinthians e Cruzeiro) estão de parabéns, foram os melhores durante todo o ano", discursa Ronaldo, numa mistura de confiança e conformismo.

Amante declarado dos pontos corridos, ele evita falar em quem foi melhor entre Fluminense e Corinthians, apesar de ter ganhado do rival e maior candidato ao título duas vezes. "No confronto direto vencemos as duas, mas isso não quer dizer nada, o campeonato é longo e todos disputaram querendo vencer. Vamos ver domingo qual vai ser o melhor, com o título, aí sim vê o melhor durante o ano", prega. Se o campeonato fosse por mata-mata, o Alvinegro só não levaria a melhor diante do Cruzeiro - a decisão seria na melhor campanha, após duas igualdades por 1 a 0 - em comparação com os 10 melhores colocados.

Como não é, Ronaldo e todos no time têm de ficar lamentando derrapadas para as equipes da parte de baixo da tabela, como Guarani, Grêmio Prudente, Atlético-GO e Vitória, rebaixados ou lutando contra o descenso até a rodada final, além de empates nada animadores diante do Ceará. "Para o Corinthians tudo é com sacrifício", divaga.

Atração. Muitos torcedores goianos estão indo às bilheterias da Serrinha - Centro de Treinamento do Goiás - comprar ingressos apenas para ver o Fenômeno em campo. Muitos nem são torcedores de Corinthians ou Goiás, os envolvidos da partida das 17 horas.

Fanáticos do Vila Nova ou do Atlético-GO, inimigos do Goiás, garantem nem estar indo ao jogo pela rivalidade, mas sim para comemorar gols de Ronaldo.

Os programas esportivos de Goiânia também usam da imagem de Ronaldo para ajudar o Goiás a encher os cofres com os bilhetes negociados de R$ 30 a R$ 80. "Para o Goiás, a partida não vale nada. Mas para o Estado, será a oportunidade de ver Ronaldo e sua magia pelo última vez no Serra Dourada", é o apelo popular já que, em 2011, ano da aposentadoria do Fenômeno, dificilmente o Corinthians enfrentará Goiás e Vila Nova - ambos na Série B - e há a chance de queda do Atlético, o que pulverizaria de vez qualquer chance de nova hospedagem fenomenal.

Resta saber se verão o sétimo gol de Ronaldo na competição.

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