Ronaldo já faz falta ao Corinthians

Boleiros

Paulo Calçade, O Estadao de S.Paulo

16 de março de 2009 | 00h00

Depois de 12 dias mergulhado na Ronaldomania, o Corinthians voltou a ser uma equipe normal, com todos os defeitos do início da temporada. Ainda não há uma resposta positiva dentro de campo capaz de oferecer confiança ao torcedor. O empate com o Santo André foi justo, resultado das deficiências técnicas e táticas, aceitáveis para um elenco de baixo investimento, não para o de Mano Menezes. Pela primeira vez na temporada, o ataque passou em branco, problema que ressalta a ausência de Ronaldo, poupado, ainda um jogador em processo de recuperação física. Reforço do marketing, em pouco tempo tornou-se fundamental para o funcionamento do time. Contra Palmeiras e São Caetano, seus gols foram decisivos no placar, resultando em quatro pontos na tabela.Com Elias contundido, o Corinthians perdeu o fator surpresa no meio-de-campo, principalmente na chegada ao ataque. Mano escalou Túlio e Christian, dois volantes marcadores, e imaginou compensar a perda de talento na faixa central com o apoio de Fabinho e, principalmente, de André Santos, pelos lados do campo. Sérgio Guedes esquematizou uma equipe parecida, no sistema 4-5-1, e neutralizou o adversário. Marcados, os laterais corintianos não conseguiram apoiar. O jogo desembocou nos pés de Douglas, onde desapareceu mais uma vez. Não havia no Corinthians quem pudesse servir de referência. O time tocava a bola e preparava jogadas sem destino. Mano tentou evitar, mas teve que colocar Souza em campo. Pelo menos conseguiu melhorar o rendimento dos meias-atacantes. Assim, Lulinha, Douglas e Dentinho ganharam um companheiro para tocar e receber a bola de volta. Mas ficou nisso, num 0 a 0 chato, desprovido de futebol, cuja única atração era a presença de Marcelinho Carioca, um ídolo corintiano, com a camisa do Santo André. Volta, Ronaldo! Nos últimos dias só se falou nele. Tudo era motivo para destacar o retorno do Fenômeno aos gramados. Quando estrearia? Quanto tempo suportaria jogar? Quando sairia o primeiro gol? Foi um exagero, mas surpreendentemente correspondido dentro de campo. Sem Ronaldo e sem futebol, pelo menos o Corinthians se reencontrou com parte de sua história recente no Estádio Bruno José Daniel. Do outro lado havia Marcelinho, esforçando-se para mostrar que ainda está vivo para o futebol. Aos 36 anos, ainda vive de sua técnica apurada. A mobilidade está reduzida, não se move mais por todo o gramado nem é capaz de marcar a saída de bola do adversário. Não, essa fase já passou, está inscrita no tempo, que rouba o fôlego, o vigor, mas compensa em experiência. E não é preciso ser jogador para entender isso. Marcelinho conhece os atalhos, continua genial nas bolas tão paradas quanto ele. Mesmo longe da melhor forma, valeu pelo jogo. Os planos de Mano Menezes para a temporada eram aparentemente simples: surgiriam dois Corinthians. Um com Ronaldo e outro sem ele. O time funcionaria normalmente sem sua grande contratação, valendo-se da boa base construída na Série B e, de vez em quando, ganharia uma joia, uma atração de dimensão mundial. Afinal, durante a recuperação clínica e física do atacante, qualquer previsão sobre sua volta seria exercício de futurologia. A ideia era não depender do Fenômeno, pois ninguém poderia garantir sua durabilidade. Hoje ainda não há uma resposta segura sobre isso, mas é fato que ele já faz falta.

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