Ronaldo: ''O time vai precisar de meus gols''

Atacante espera estar à disposição da equipe nos 9 jogos restantes e diz que ambiente é o mesmo da época de títulos

Fábio Hecico, O Estado de S.Paulo

15 de outubro de 2010 | 00h00

Muitos fazem de tudo para tirar o peso das costas em um momento delicado ou decisivo. Ser o salvador da pátria passa longe para muitos jogadores. Com Ronaldo, sem atuar há 10 rodadas, carente de ritmo e ainda um pouco longe da forma ideal, é o contrário. No pior momento vivido pelo Corinthians desde a queda à Série B, resolveu tomar a frente do grupo e chamar para si a responsabilidade de tirar o time do buraco no Campeonato Brasileiro.

"O time vai precisar dos meus gols para conseguir as vitórias e estou comprometido para consegui-las, para embalarmos", afirmou o Fenômeno, se colocando à disposição para toda a reta final do Nacional. "Olha, o momento realmente é difícil, não era o que pensávamos. Mas nós temos de pensar positivo. São seis jogos sem vitória e, no entanto, ainda estamos a cinco pontos do líder. A distância não é tão longa para correr atrás, e espero estar à disposição do treinador nestes nove jogos."

A maior sequência do jogador no clube foi em 2009, com sete partidas seguidas. E, por falar na temporada passada, ela virou exemplo para o atacante mostrar que é possível uma volta por cima corintiana. "Não tem fórmula mágica para saber o que está dando problema nas derrotas. Seria fácil eliminar isso. A fase é dura e temos de encarar como tal, temos de superar, trabalhar e treinar, pois o convívio é igual ao do momento que ganhamos dois títulos no primeiro semestre de 2009."

Soltinho. Ronaldo estava descontraído, leve, solto. Falou de futebol, política, fim da carreira, fez apostas... Ao encarar os jornalistas pela terceira vez no ano em momentos críticos - falou após as quedas no Campeonato Paulista e na Libertadores - disse que só estava ali por obrigação. "A vontade era zero, mas me obrigaram. E temos muitos chefes", disse, com bom humor.

Ele teve jogo de cintura para falar sobre o peso de sua volta. "De uma pena. Sem trocadilho, espero ser importante e decisivo como sempre fui. É o melhor momento para voltar, o campeonato está aberto, são só cinco pontos do líder e, apesar da crise que estamos vivendo, temos boas chances de ser campeão."

Com 49 pontos, aproveitamento de apenas 40% no segundo turno, o Corinthians teria de ter desempenho fenomenal nessa reta final para superar os embalados Cruzeiro (líder com 54 pontos) e Santos (48), além do bom Fluminense (52). O problema é que cinco jogos serão fora de casa. E, no Pacaembu, os desafios são complicados, como contra Palmeiras e Cruzeiro.

Domingo, diante do Guarani, em Campinas, Ronaldo deve ter Iarley como parceiro de ataque. E a defesa poderá ter seu cão de guarda à frente: o volante Ralf. Já no outro fim de semana, no clássico com o Palmeiras, o atacante Dentinho e o meia Bruno César deverão ser as novidades.

Com suas principais peças de volta, Ronaldo faz lobby com a torcida para evitar que as cobranças e xingamentos dos últimos encontros acabem com a harmonia destes últimos três anos. "O torcedor tem a maior parcela de contribuição. Ele tem de acreditar, pois serão nove finais e vamos precisar da nossa torcida, do início ao fim."

O Corinthians é o recordista de público no Brasileiro. A união torcida/time deu certo no primeiro turno, quando o time ganhou 10 jogos em casa. Depois das lesões, o rendimento caiu, mas com a recuperação de peças importantes, Ronaldo acredita que novamente a dobradinha vai fazer a diferença. Tudo para ele aparecer de outra forma. "Eu prefiro ser assunto na segunda-feira (depois de um grande jogo), do que na quinta, para falar de crise."

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