Fábio Motta / Estadão
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'Rota do dinheiro' de Nuzman entra no radar dos investigadores suíços

Ministério Público do país confirma que está examinando caso do dirigente brasileiro, enquanto bancos começam a fazer levantamento de transações

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

06 Outubro 2017 | 05h37

GENEBRA – O Ministério Público da Suíça vai avaliar a partir desta sexta-feira, 6, o pedido de cooperação para investigar e bloquear as contas do presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB), Carlos Arthur Nuzman, em Lausanne e Genebra. Na Suíça, o brasileiro ainda mantem 16 quilos de ouro em um cofre, e o Departamento de Justiça do país já havia dado um sinal positivo sobre a cooperação. O Estado apurou que bancos citados no processo no Brasil também já iniciaram, internamente, uma apuração sobre as transações do dirigente. 

Agora, o Ministério Público brasileiro quer saber os detalhes das movimentações bancárias do dirigente, e espera a ajuda de Berna para estabelecer a "rota do dinheiro". Pela cooperação, os bancos suíços serão obrigados a repassar todos os extratos bancários que, então, poderão alimentar a investigação no Brasil e na França. 

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No dia 28 de setembro, os procuradores brasileiros encaminharam um pedido aos suíços para que as contas fossem bloqueadas, assim como o ouro mantido por Nuzman em Genebra. No dia 5 de outubro, dia da prisão do dirigente, o Departamento de Justiça deu o primeiro sinal verde para a cooperação e encaminhou a documentação para a “execução” por parte do Ministério Público de Berna. Dentro do sistema de cooperação, a aprovação inicial é considerada como um passo decisivo. 

Os procuradores suíços indicam ao Estado que vão se debruçar sobre o caso. “O Escritório da Procuradoria Geral da Suíça confirma que recebeu nesta sexta-feira, 6, um pedido de cooperação mútua do Brasil neste contexto”, disse um comunicado do MP em Berna, capital suíça.  

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“O pedido foi transferido do Departamento Federal de Justiça para a Procuradoria-Geral como autoridade competente para sua execução”, explicou. “A Procuradoria-Geral está atualmente analisando o pedido de cooperação para avaliar se ela podera ser executada”, indicou. 

Ao Estado, os responsáveis pelo local onde o ouro está guardado indicaram que terão de cumprir uma ordem judicial se houver uma, significando que terão de impedir qualquer tipo de retirada do ouro dos cofres. 

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Rota

O trabalho dos investigadores agora é o de traçar a “rota” da fortuna do brasileiro. Documentos e envelopes encontrados durante a operação policial na casa de Nuzman, em setembro, revelaram que o brasileiro não apenas mantinha dinheiro vivo em sua residência em diversas moedas, mas também guardava informação sobre contas na Suíça. 

No dia 27 de junho de 2014, Nuzman escreveria para Laetitia Theophage, funcionária da Federação Internacional de Atletismo, um email no qual colocava seus dados de uma conta na Suíça. Tratava-se de um depósito que deveria ser realizado no banco Société Générale Private Banking, instituição financeira dedicada a administrar grandes fortunas. 

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Laetitia, o Estado apurou, era a assistente pessoal do então presidente da IAAF, o próprio Lamine Diack, investigado por corrupção e hoje detido. Com a conta bancária número 1720399, ele indicava para onde a IAAF deveria fazer um depósito. O local do banco também é revelador: Lausanne, cidade sede do COI e para onde Nuzman viajou com grande frequência entre 2009 e 2016, durante a preparação do Rio de Janeiro. 

Em seu pedido de Habeas Corpus, Nuzman indicou que a conta servia para receber pagamentos de trabalhos realizados para a IAAF e suas despesas. O brasileiro chegou a ser membro do Conselho de Ética da entidade. 

Agora, um dos trabalhos dos investigadores será o de apurar se a conta em nome de Nuzman serviu para algum outro objetivo. Para isso, o Ministério Público Federal espera a cooperação da Suíça.  O Estado apurou que um fluxo ainda importante de dinheiro passou pelos EUA e pelo Caribe, o que exigiu a cooperação da Justiça americana e da Grã-Bretanha. 

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