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Antero Greco
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Roteiros clássicos

U m surrado e antigo lugar-comum nos romances policiais era apontar o mordomo como culpado pelos crimes misteriosos que horrorizavam e prendiam a atenção do leitor. O desfecho tradicional satisfazia o público e tinha o peso simbólico de estampar o estigma da maldade em personagem secundário na trama e na escala social. Com aquela solução, se satisfazia o desejo de justiça, se acalmava o cidadão comum e, ao mesmo tempo, se preservava a imagem das pessoas de bem, dos estratos superiores. A mensagem subliminar: em geral, gentinha comete atos hediondos. E vida que segue até a próxima novela...

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2013 | 02h04

Um clássico das histórias noir dos tempos modernos tem como roteiro habitual o menor de idade que assume um delito de grande repercussão e cujos desdobramentos podem ser embaraçosos para muitos. Como em diversos países - o Brasil, por exemplo - a lei se mostra branda com infrator com menos de 18 anos, eventual condenação na teoria provocará estragos contornáveis.

Há um certo anticlímax, é verdade, pois prevalece a sensação de que houve armação. Mas ainda assim a plateia se mostra um tanto confortada com a punição do jovem que delinquiu, e finge esperar que se recupere. Ele passa um tempo recolhido em alguma instituição de reeducação, o delito fica superado e... bola pro mato que o jogo é de campeonato. Depois, se aguarda a próxima atração.

Quando se trata de ficção, tanto faz quem seja o culpado ou a pena que venha a amargar. Triste mesmo quando tais scripts se desenrolam na vida real... A sociedade, então, se sente aviltada e enganada por atores improvisados. E teme, vigilante, a próxima tragédia.

Marcha lenta. O Corinthians foi estranho, no empate por 2 a 2 com o Bragantino, na tarde de ontem, em Bragança. A equipe de Tite, alterada em relação àquela que estreou na Libertadores, pareceu travada, diante de rival nada além de ajustado. O jogo não fluiu, lances ataque eram raros, a primeira fase se arrastou.

Houve emoção na segunda metade, com os gols e o esforço para o campeão do mundo empatar duas vezes - a última bem nos acréscimos, de pênalti cobrado por Guerrero, que continua a justificar o nome e que substitui bem um Douglas indolente e a perder espaço no time. Pato fez mais um gol, o goleiro Cássio ainda está fora de sintonia, Renato Augusto tevê fôlego para um tempo. Um Corinthians que demora a engrenar, que leva o Estadual em banho-maria e que agora tem um ponto de interrogação em torno do futuro na campanha do torneio continental.

Palmeiras sobe. Embora o torneio paulista não seja um parâmetro confiável, Gilson Kleina molda uma equipe razoável, que aumenta a série invicta, se firma no bloco principal e, com menos tensão, busca a formação ideal. Diante do União Barbarense, no Pacaembu com bom público, sobressaiu a marcação no meio-campo, a defesa se mantém mais estável e o ataque, sem jogadores brilhantes, se fixa como o mais produtivo até agora. Leandro, recém-desembarcado no clube, desponta como alternativa e revelou personalidade no lance do gol. Aos poucos, o time ganha cara.

PS. Kevin Beltrán não é personagem de ficção. Mas o jovem boliviano, que teve vida breve e encerrada abruptamente, pode transformar-se só em mais um na estatística dos que morreram em estádios e cuja memória não foi honrada com punição do culpado. Uma faixa de solidariedade não basta.

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