Rubinho faz festa solitária

Brasileiro passa o dia em Portugal e comemora por celular e twitter

Livio Oricchio, O Estadao de S.Paulo

25 de agosto de 2009 | 00h00

Rubens Barrichello foi jogado ao ar por integrantes de sua equipe, a Brawn GP, depois da espetacular vitória no GP da Europa, em Valência, no domingo. Saiu para comemorar à noite com os amigos e recebeu elogios grandiosos de gente de dentro e de fora da Fórmula 1 pelo irretocável desempenho na corrida. Ontem, no entanto, um dia depois de se lançar como candidato ao título, Rubinho festejou sozinho. "Na quarta-feira (amanhã) temos evento promocional da Brawn, aqui em Portugal, minha família está em São Paulo, me restou ficar no twitter e responder às 78 mensagens que havia no meu celular", disse.Mas o isolamento não causou desconforto, a julgar pelo entusiasmo com que atendeu o Estado. "Está tudo tão vivo ainda dentro de mim. Não há como não me sentir bem. Nossa equipe já havia vencido seis vezes neste ano e, ontem (domingo), celebrou como se fosse a primeira vitória." Rubinho não se sentiu sozinho também porque conversou bastante pelo telefone. "O Eduardo e o Fernando (seus filhos) me ligaram. O Eduardo para falar de largada, pit stop, tudo técnico, e o Fernando só ria e gritava ?campeão?." A família viveu com Rubinho os meses de apreensão depois do fim do último campeonato. "Eles sofreram comigo aquela ansiedade de saber se continuaria ou não na Fórmula 1 e agora, me vendo tão feliz assim, querem dividir tudo comigo." O amigo Roberto Martins foi um desses torcedores de Rubinho. "Ele veio assistir à corrida e falou que, se eu ganhasse, eu cortaria o cabelo dele. Fiz um traçado semelhante ao antigo de Hockenheim, o da minha primeira vitória na Fórmula 1 (pela Ferrari), em 2000." Ontem, o presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo, enviou por meio de Stefano Domenicali, diretor, cumprimentos pela conquista. "Meu relacionamento com ele sempre foi muito bom", afirmou Rubinho. Os problemas no time italiano eram com Jean Todt, diretor, e Michael Schumacher. Na Brawn o ambiente é outro. "Bem melhor." Mas, apesar da união do grupo, como lembra o piloto, não deixa de existir competição entre os que trabalham com Jenson Button e os com Rubinho. "Me sentia pressionado, pois o Jenson já havia levado ao pódio até seu segundo engenheiro e eu, ninguém." O escolhido foi Jock Clear, engenheiro. "Foi um alívio para todos (de seu grupo)."Ele também confessou sentir-se bem melhor depois da primeira vitória com a Brawn, a décima na carreira. "Estaria mentindo se dissesse que não senti o ombro se soltar depois de receber a bandeirada." Sua leitura da temporada é diferente da maioria dos brasileiros. "Este é um ano vitorioso para mim. No fim do campeonato de 2008 eu não tinha equipe e, de repente, surgiu não só uma oportunidade como um carro vencedor." E destacou seu momento melhor que o do companheiro. "Estou conseguindo me impor agora, como ele fez no começo. É uma hora ótima para mim."Restam seis etapas para o fim da temporada. Button soma 72 pontos diante de 54 de Rubinho, o vice-líder. "Tenho chance, ainda, de ser campeão, como não?"

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