Rubinho, impecável, vence outra e entra de vez na briga pelo título

Brasileiro pilota com rara precisão em Monza e reduz para 14 pontos a distância em relação ao líder Button

Livio Oricchio, MONZA, O Estadao de S.Paulo

14 de setembro de 2009 | 00h00

Há mesmo algo de especial na relação de Rubens Barrichello com Monza. E dos brasileiros com a Itália. Sua terceira vitória na pista mais veloz do Mundial, ontem, não só comprova seu momento excepcional como piloto, aos 37 anos e presença em 280 GPs, como lança sobre a fase final do campeonato forte carga de emoção. Seu companheiro de Brawn GP, Jenson Button, terminou em 2º, mas a diferença entre ambos, líder e vice-líder, caiu agora para 14 pontos, 80 a 66, a favor do inglês. Os dois vão disputar o título nas quatro etapas restantes.

"Eu acordava toda hora essa noite, ansioso. A equipe ficou de me ligar às 8 horas para responder se precisaria trocar o câmbio", disse Rubinho, ainda molhado da champanhe do pódio e para mostrar porque estava tão eufórico com a 11ª vitória na carreira. A substituição do câmbio o faria cair da 5ª para a 10ª posição no grid. "Os caras não me ligavam. Então, eu chamei. Felizmente, não foi preciso (fazer a troca). Deus cuidou do meu câmbio." O piloto dedicou a vitória aos filhos Fernando, que completou 4 anos no sábado, e Eduardo, de 8.

A precisão de Rubinho levou Niki Lauda, três vezes campeão do mundo, a dizer: "A hora é de Rubens. Se Jenson não correr com muita inteligência, esquecer as vitórias, pensar apenas em Rubens, perderá o campeonato." Rubinho somou 22 dos 30 pontos possíveis das três últimas provas. "Vou encarar as próximas corridas como esta. Pé no chão, lutando para vencer. Com exceção de Suzuka, pista que adoro, onde deve estar frio e temos problemas com os pneus, nas demais nosso carro deve ir bem", disse Rubinho.

A exemplo da vitória em Valência, dia 23, o piloto da Brawn assumiu a liderança definitiva do GP da Itália no terço final da prova. Em Monza, foi na 37ª volta de um total de 53. A Brawn elaborou estratégia perfeita: um pit stop apenas, diante de dois da grande maioria. "Foi a forma que encontramos para vencer os carros com Kers (sistema de recuperação de energia)", disse Rubinho. Lewis Hamilton, da McLaren, se acidentou no final quando era 3º; Kimi Raikkonen, Ferrari, 3º ontem e seu 4º pódio seguido; e Fernando Alonso, Renault, 5º colocado em Monza, tinham o Kers.

"Deu tudo certo porque eu e o Button largamos muito bem e nosso carro estava fantástico, rápido mesmo com bastante gasolina."

Os dois pilotos da Brawn ultrapassaram Heikki Kovalainen, da McLaren, equipada com o Kers, manobra decisiva para imporem seu ritmo aos demais. Além do câmbio, o drama de Rubinho tinha ainda outro componente: os pneus. Afinal, faria meia prova com um único jogo no traçado de 5.793 metros. "Button largou com os moles e eu com os duros. Esperava um ataque dele no começo, mas consegui ser mais rápido."

Questionado se dá para continuar amigo do piloto que concorre com ele pelo título, Rubinho disse: "Não vou sair do meu carro e falar para o Jenson que descobri algo importante, mas na equipe os dados são abertos para os dois." E afirmou: "Há essa visão de que é preciso ser ruim para ser campeão. Espero que o campeonato fique entre os conhecidos como gente boa."

Rubinho respondeu também como é concorrer sem as ordens da Ferrari. "Significa muito. Penso que Michael Schumacher pode ter mais habilidade, mas, se jogarem nós dois numa jaula com um tigre, acredito que saio vivo; ele, não sei." O alemão soube da declaração e disse, com sarcasmo: "Fico contente de saber que ainda estimulo Rubens."

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