Ruim para os dois

Empate no clássico não foi nada bom para São Paulo e Palmeiras, que poderiam se aproximar do líder Corinthians, derrotado pelo Figueirense

Marcius Azevedo e Paulo Galdieri, O Estado de S.Paulo

22 de agosto de 2011 | 00h00

O conceito de "justiça" nem sempre é aplicável no futebol, um esporte tão apaixonante como, muitas vezes, imprevisível. Mas há casos em que, como se fosse uma equação matemática, uma partida fica bem dividida entre os dois times e, com um empate, a tal justiça é feita.

Foi o caso do clássico de ontem, no Morumbi. O 1 a 1 fez jus ao que se viu das duas equipes. O problema é que o São Paulo (3º colocado, 34 pontos) e Palmeiras (6º, 29) perderam a oportunidade de colar no líder Corinthians (37 pontos), derrotado pelo Figueirense no sábado.

O São Paulo ficou com o primeiro tempo sob seu domínio. Aproveitou-se disso e saiu na frente. O Palmeiras deu o troco na etapa final e também marcou.

Mas alguns detalhes foram preponderantes para que o jogo terminasse igual. O primeiro deles é que tanto um quanto o outro se ressentiram das ausências daqueles de quem ambos esperam o imprevisível. Os meias Lucas e Valdivia, mesmo longe de suas melhores performances, fizeram falta.

O menino são-paulino caberia perfeitamente na proposta que o jogo desenhou no Morumbi, com o time da casa apoiado em jogadores rápidos no ataque, mas sem ninguém para dividir com Rivaldo a tarefa de confundir a marcação do adversário e abrir os espaços tão bem preenchidos por uma defesa confortavelmente pouco incomodada, como foi a palmeirense.

Já o chileno teria sido o toque de refinamento no passe que o Palmeiras precisava para chegar a um eventual segundo gol, quando passou a dominar o jogo.

Os técnicos também tiveram a sua parcela de colaboração para fazer do 1 a 1 um resultado justo para a partida o Morumbi.

Adilson, com a surpresa que armou. Felipão, com a mudança que fez para a etapa final.

O técnico do São Paulo escalou o time num 3-5-2, preferido no clube, mas que estava meio esquecido por lá. O desenho tático deu ao seu time uma maioria no meio de campo, e proporcionou no primeiro tempo que os jogadores do setor pudessem jogar soltos, se revezando na marcação - até Wellington apareceu algumas vezes na intermediária para iniciar jogadas de ataque.

O gol de Dagoberto foi fruto dessa movimentação, que fez a bola chegar a Rivaldo e, dele, para o atacante. Daí, ele transformou o lance num daqueles que se tornam inesquecíveis. Um golaço em cima de um goleiraço como Marcos - que pode ter feito seu último jogo no Morumbi.

A etapa final teve um de seus lances mais importantes antes mesmo de a bola rolar. Foi quando Felipão tirou o volante Márcio Araújo, recuou Luan para o meio de campo e colocou Maikon Leite na partida.

A atuação do ex-santista baixinho não foi individualmente para se destacar. Mas com ele em campo, Kleber deixou de ficar isolado no meio do trio de zagueiros do São Paulo. Com Maikon na partida, o rival precisou designar um de seus defensores para acompanhá-lo pela lateral, já que Juan, como ala, não conseguia acompanhá-lo.

Nesse cenário, Kleber ganhou o espaço que precisava para subir de produção e criar.

O gol de empate, no entanto, nasceu de uma jogada que já virou tradicional para o time: falta, Marcos Assunção na cobrança, bola na área e gol do Palmeiras.

Desta vez, foi Henrique quem aproveitou a bola cruzada com perfeição na área e a desatenção da zaga do São Paulo. Não foi um clássico de tirar o fôlego, mas pelo menos foi justo.

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