Russa perde ouro de Londres-2012 por doping e leva suspensão de 4 anos da CAS

A corredora russa Maria Savinova teve cassada nesta sexta-feira a medalha de ouro que conquistou na prova dos 800 metros nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, por uso de doping. Para completar, a atleta foi punida com uma suspensão de quatro anos aplicada pela Corte Arbitral do Esporte (CAS, na sigla em inglês).

Estadao Conteudo

10 Fevereiro 2017 | 13h18

Com a punição, a sul-africana Caster Semenya, que faturou a prata na final daquela prova, deverá herdar o ouro de Savinova e se tornar bicampeã olímpica, pois triunfou na disputa dos 800 metros nos Jogos do Rio, no ano passado.

Ao justificar as punições aplicadas nesta sexta, a CAS disse ter descoberto que Savinova esteve envolvida com uso de doping entre julho de 2010 e agosto de 2013, último ano em que a russa participou de competições.

Em 2014, por sua vez, Savinova foi flagrada em filmagens secretas feitas por Yulia Stepanova, delatora do escândalo de doping sistemático que envolve a Rússia, na qual aparece admitindo ter injetado testosterona e tomado o esteroide proibido oxandrolona. A filmagem ajudou a Agência Mundial Antidoping (Wada, na sigla em inglês) a promover uma grande investigação para apurar trapaças cometidas por atletas russos, assim como motivou a reanálise do teste antidoping que havia sido feito por Savinova e então não detectou nenhuma irregularidade.

Sem competir desde 2013, a atleta estava se preparando para o seu retorno às pistas quando foi filmada por Stepanova e depois suspensa durante a investigação. E, como fruto desta apuração que trouxe provas de uma série de casos de doping que não haviam sido flagrados anteriormente, a Rússia foi suspensa de todas as competições pela Associação das Federações Internacionais de Atletismo (IAAF) em novembro de 2015 e acabou ficando fora das disputas da modalidade na Olimpíada de 2016.

Caso o Comitê Olímpico Internacional (COI) decida realocar as medalhas da final olímpica dos 800 metros de Londres-2012, o pódio da prova será todo modificado. Além da provável entrega do ouro para Caster Semenya, a prata conquistada na pista pela sul-africana teria de ser dada inicialmente para a russa Ekaterina Poistogova, então medalhista de bronze daquela disputa.

Poistogova, porém, também está sob investigação por possível uso de doping e, caso seja punida, a queniana Pamela Jelimo, quarta colocada naquela final em Londres, poderia galgar duas colocações de uma vez e faturar uma antes inesperada prata, tendo em vista o fato de que Savinova já teve a sua medalha cassada.

Se Poistogova escapar de ser punida, Jelimo de qualquer forma deverá herdar no mínimo o bronze e a atleta russa ficar com a prata obtida na pista por Semenya. Uma punição a Poistogova também faria com que a norte-americana Alysia Montano herdasse o bronze depois de ter sido quinta colocada naquela final dos 800 metros.

Outra atleta russa que foi sexta colocada nesta mesma prova em Londres-2012, Elena

Arzahkova já teve o seu resultado desqualificado em 2013 por uso de doping sanguíneo.

Pelo fato de a CAS ter justificado em sua sentença que houve provas de que Savinova se beneficiou de doping entre julho de 2010 e agosto de 2013, a russa ainda corre o risco de perder a medalha de ouro que conquistou nos 800 metros no Mundial de Atletismo de 2011. Naquela ocasião, Semenya também ficou com a prata e assim poderia herdar um outro ouro expressivo conquistado pela russa.

Já a holandesa Yvonne Hak, vice-campeã europeia dos 800 metros em 2010, é outra candidata a herdar um outro título conquistado por Savinova.

A comissão da Wada que investigou o atletismo russo originalmente recomendou uma suspensão por toda a vida para Savinova, que ainda pode recorrer contra a decisão anunciada pela CAS nesta sexta.

'RÉU CONFESSA' - Embora tenha a chance de apelar contra a punição que recebeu, a russa pode ser considerada uma "réu confessa" pelo que disse nas filmagens coletadas por Yulia Stepanova em 2014. Naquela ocasião, a atleta chegou a afirmar que apenas por meio do uso de doping poderia ter sucesso no esporte russo.

"O que eu deveria fazer? Como eu poderia fazer de forma diferente? Esse é o nosso sistema e na Rússia ele só funciona com doping", disse Savinova, de acordo com a transcrição revelada pela Wada. "Oxandrolona está muito rapidamente fora do meu corpo de novo. Isso leva menos de 20 dias", afirmou a russa em outra declaração, se referindo ao esquema ilegal considerado eficiente para não ser reprovada em testes antidoping.

Savinova ainda relatou nesta gravação secreta de imagens que o seu marido, o ex-corredor Alexei Farnosov, usou "contatos" de um laboratório antidoping para ajudar a encobrir o seu caso. O mesmo laboratório, que fica em Moscou, depois acabou sendo fechado e seu diretor admitiu que acobertou centenas de exames que detectaram uso de substâncias ilegais por parte de atletas russos.

Alexei Melnikov e Vladimir Kazarin, dois técnicos de ponta que trabalharam com Savinova, também receberam punições por participarem de esquemas ilegais de dopagem. No ano passado, Melkinov foi banido pelo resto da vida do atletismo pela IAAF, enquanto Kazarin está suspenso de forma preventiva enquanto aguarda o resultado de uma investigação, embora tenha sido acusado de não cumprir essa punição ao supostamente continuar treinando corredores russos.

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