Cathal McNaughton / Reuters
Cathal McNaughton / Reuters

Rússia diz que contraprova confirmou doping de atleta do curling na Olimpíada

Comitê olímpico do país afirma, entretanto, que atleta utilizou única dose, o que não traria benefícios

Estadão Conteúdo

20 de fevereiro de 2018 | 10h34

O Comitê Olímpico da Rússia confirmou oficialmente nesta terça-feira que o atleta russo Aleksandr Krushelnitckii, medalhista de bronze na prova de duplas mistas do curling nestes Jogos de Inverno de Pyeongchang, teve confirmado o uso da substância proibida meldonium na contraprova do exame antidoping que realizou na Coreia do Sul.

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O caso envolvendo o competidor, que garantiu lugar no pódio ao lado da sua mulher, Anastasia Bryzgalova, foi revelado na última segunda-feira, quando a Corte Arbitral do Esporte informou que abriu uma investigação relacionada ao atleta enquanto esperava o resultado da amostra B (contraprova) do exame inicial que apontou o uso do medicamento cujo uso se tornou proibido pela Agência Mundial Antidoping (Wada, na sigla em inglês) a partir do início de 2016.

Por meio de um comunicado, o Comitê Olímpico da Rússia disse "expressar suas sinceras lamentações" em relação ao incidente, mas enfatizou que Krushelnitsky consumiu meldonium apenas uma vez e destacou que o seu uso seria "absolutamente inútil e ineficaz" se tivesse sido utilizado para melhoria do seu desempenho esportivo.

A entidade russa também revelou que abriu uma investigação com o objetivo de descobrir o motivo de a substância ter sido detectada neste exame. "A concentração de meldonium encontrada na amostra indica o uso de uma dose única do medicamento, o que não tem nenhum sentido para obter efeito terapêutico no corpo humano", ressaltou o Comitê Olímpico da Rússia, que também lembrou que testes antidoping realizados por Krushelnitsky antes dos Jogos de Inverno deram resultado negativo.

Proibido desde janeiro de 2016 para esportistas, o meldonium foi listado entre as substâncias proibidas pela Wada ao ser qualificado como um "modulador metabólico" devido "ao uso de atletas para aumentar a performance". Este medicamento é usado para tratar doenças cardíacas e aumenta o fluxo cardíaco no músculo do coração.

Com a Rússia proibida de competir nesta Olimpíada de 2018 sob a sua bandeira por causa do enorme escândalo de dopagem durante a edição passada dos Jogos de Inverno, em Sochi-2014, Krushelnitsky e Bryzgalova estão entre os 168 atletas russos que participam do grande evento sul-coreano defendendo uma bandeira neutra e sem poderem usar uniformes contendo o nome ou as cores da nação.

Reprovada em um exame antidoping realizado durante o Aberto da Austrália de 2016, que apontou uso de meldonium em janeiro daquele ano, a tenista russa Maria Sharapova, ex-líder do ranking mundial, cumpriu recentemente uma suspensão de 15 meses.

O Comitê Olímpico Internacional (COI) ainda não anunciou uma decisão sobre Krushelnitsky, que já deixou a Vila Olímpica de Pyeongchang, mas o seu caso coloca em xeque o processo de elegibilidade da entidade, que havia liberado o atleta para competir entre os russos convidados para o grande evento sob a condição de utilizarem bandeiras neutras.

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