Martin Meissner/AP
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Rússia será centro do mundo esportivo

País vai organizar série de grandes eventos até 2018, quando chegará ao ápice com a Copa do Mundo

AMANDA ROMANELLI - Enviada especial, O Estado de S. Paulo

11 de agosto de 2013 | 08h03

MOSCOU - O papel de destaque que o Brasil experimenta no cenário esportivo mundial sofrerá um deslocamento de 11 mil quilômetros depois de 2016. Assim que a Olimpíada do Rio terminar, os olhos do mundo estarão voltados para a Rússia, que receberá a Copa do Mundo de 2018. A última vez que o país esteve em tamanha evidência foi em 1980, quando, como União Soviética, sediou uma Olimpíada marcada pelo boicote dos Estados Unidos e de outros 69 países.

Os russos, porém, vão passar por uma era esportiva ainda mais ampla do que a dos brasileiros, que, além dos Jogos Olímpicos, vão organizar também a Copa do Mundo de 2014. A Rússia terá pelo menos cinco grandes eventos até que o torneio do esporte mais popular do mundo desembarque no país.

Em julho, Kazan foi sede da Universíade, conhecida como a Olimpíada Universitária. Agora, o Mundial de Atletismo está em pleno andamento. No ano que vem, o país receberá a Olimpíada de Inverno na cidade de Sochi, à beira do Mar Negro. Também no ano que vem, e também em Sochi, a Fórmula 1 realizará seu primeiro GP russo - provavelmente, em outubro.

Uma outra competição importante será realizada na Rússia em 2015. Kazan aproveitará as instalações da Universíade para organizar o Mundial de Esportes Aquáticos. Dois anos depois, o futebol tomará conta do país com a Copa das Confederações, evento-teste para o Mundial de 2018.

Para o governo russo, que tem como presidente (e, anteriormente, como premiê) um aficionado por esportes, a chance é ótima para mostrar ao mundo a entrada efetiva do país no universo competitivo do capitalismo - afinal, a abertura política e econômica deu-se há pouco mais de 20 anos. Vladimir Putin, ex-judoca e carateca, empenhou-se pessoalmente nas campanhas para a Olimpíada de Inverno e para a Copa do Mundo.

"Temos de mostrar que somos um país aberto ao mundo. Quando os torcedores vierem à Rússia, verão que muitos preconceitos estão superados", discursou Putin em dezembro de 2010, logo depois da escolha do país como sede do Mundial de 2018. O seu objetivo, afirmou, era derrubar um "muro de Berlim" que permanece dividindo o país e o restante da Europa, especialmente.

O primeiro dos grandes evento russos, a Universíade, foi considerado um sucesso de organização e também de bom uso de dinheiro - o que não tem sido o caso da Olimpíada do ano que vem e da Copa do Mundo. Os dois grandes torneios custarão muito mais caro do que o previsto. Para 2018, o orçamento chega à casa dos US$ 20 bilhões, segundo anunciou o ministro do Esporte, Vitaly Mutko, em junho - o dobro do indicado na candidatura, em 2010. E os gastos com os Jogos de Sochi podem bater nos US$ 50 bilhões, o que fará da Olimpíada russa a mais cara da história.

Kazan, oitava maior cidade do país, com cerca de 1,14 milhão de habitantes, recebeu 13 mil atletas entre 6 e 17 de julho. Os gastos para a realização do evento, dizem os organizadores, foram de US$ 600 milhões.

O brasileiro Ronald Julião está em sua segunda passagem pela Rússia em menos de um mês. Foi campeão do lançamento do disco na Universíade e agora, em Moscou, disputará o primeiro Mundial da carreira.

O lançador é só elogios ao país: "Kazan uniu os detalhes impecáveis da organização dos chineses (ele disputou a Universíade de Shenzhen, em 2011) e a pontualidade dos britânicos".

A maior dificuldade, porém, ainda é a comunicação. Poucos russos falam inglês - notadamente os mais jovens, maioria entre os voluntários da Universíade e do Mundial de Atletismo - e quase não há sinalização em alfabeto latino. "Os voluntários sugeriram que a gente saísse em grupos", lembrou Ronald. "Certamente iríamos nos perder."

A repórter viaja a convite da IAAF

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