Rússia suspende mais duas medalhistas olímpicas por doping

A Agência Russa Antidoping (Rusada) anunciou, nesta sexta-feira, suspensão a mais duas medalhistas olímpicas. Ouro em Londres/2012 nos 3.000 metros com obstáculos, Yuliya Zaripova recebeu gancho de dois anos e seis meses, enquanto Tatiana Chernova, bronze tanto em Londres quanto em Pequim/2008 no heptatlo, foi punida por dois anos.

Estadão Conteúdo

30 de janeiro de 2015 | 15h09

A punição de ambas é retroativa a julho de 2013, o que significa que elas poderão competir normalmente nos Jogos Olímpicos do Rio/2016. A Agência Mundial Antidoping (Wada), entretanto, pode recorrer das penas e exigir punições mais duras.

Zaripova, de 28 anos, não compete exatamente desde julho de 2013. Na ocasião, disse que não participaria do Mundial de Moscou (Rússia) porque estava com uma lesão na perna. Depois, afirmou que iria dar uma pausa na carreira para ser mãe. Seu passaporte biológico, de acordo com a Rusada, apresentou resultados anômalos.

Pelo que explicou a Rusada em breve nota no seu site, Zaripova perdeu os resultados obtidos em breves períodos: entre os dias 20 de junho e 20 de agosto de 2011, e de 3 de julho a 3 de setembro de 2012. Assim, ela se mantém como campeã mundial de 2011, uma vez que a competição em Daegu (Coreia do Sul) começou em 27 de agosto.

Zaripova, entretanto, deverá perder o ouro conquistado em Londres, uma vez que o resultado foi obtido em agosto de 2012. A tunisiana Habiba Al-Ghribi-Boudra deve herdar o ouro, a etíope Sofia Assefa ficar com a prata e a queniana Milcah Chemos Cheywa, que completou em quarto, receber o bronze.

Já Tatiana Chernova foi punida com base no resultado colhido no Mundial de 2009, em Berlim (Alemanha), quando testou positivo para um anabolizante não revelado. Ela perdeu todos os seus resultados entre 15 de agosto de 2009 e 14 de agosto de 2011, período em que deveria ter ficado suspensa pelo doping. Assim, mantém as duas medalhas de bronze olímpicas.

Valentin Balakhnichev, presidente da Federação Russa de Atletismo (Araf), afirmou que pretende que espera que esses sejam os dois últimos casos de doping no esporte russo. O dirigente promete renunciar ao cargo em 17 de fevereiro, em assembleia da entidade. Antes, deve indicar um novo técnico para a seleção russa, uma vez que o antigo treinador, Valentin Maslakov, já renunciou.

Na semana passada, a Rusada informou a suspensão de cinco marchistas russos (três deles campeões olímpicos), que estão afastados das competições desde 2012, alegando os mais diversos motivos. Ainda em 2012 a Associação Internacional das Federações de Atletismo (IAAF) passou os casos para a ARAF para julgamento, mas a entidade nacional alega que não tinha recursos para lidar com "a especificidade dos casos de passaporte biológico".

Os cinco casos foram detectados pelo passaporte biológico, que rastreia valores sanguíneos anômalos durante longos períodos de tempo. Com os dois casos revelados nesta sexta, já são 25 atletas russos de elite pegos por doping desde que o passaporte foi implementado, em 2009. A Rússia corresponde por praticamente dois terços de todos os 37 casos identificados.

A ARAF e a agência nacional antidoping foram acusadas de má conduta em um documentário veiculado no mês passado pelo canal de televisão alemão ARD. A federação operaria um programa de doping sistemático, enquanto funcionários da agência foram acusados de encobrir testes positivos.

Tudo o que sabemos sobre:
atletismoRússiadoping

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.