Russo não se esforça e leva multa

ATP desconfia de nova derrota de Davydenko e o pune em US$ 2 mil

Chiquinho Leite Moreira, O Estadao de S.Paulo

27 de outubro de 2007 | 00h00

Na tentativa de conter o avanço da corrupção no tênis, a ATP (Associação dos Tenistas Profissionais) mostrou estar de olho em Nikolay Davydenko, centro das investigações de manipulações de resultados, patrocinados por casas de apostas, e multou o jogador em US$ 2 mil, ontem, por falta de esforço, em caso inédito. O tenista russo vencia com facilidade o desconhecido croata Marin Cilic, na noite de anteontem, pelo torneio de São Petersburgo. Marcou 6/1 no primeiro set em apenas 27 minutos. Depois, mudou tanto o comportamento que, de forma surpreendente, foi advertido pelo juiz de cadeira Jean-Philippe Dorcq, preocupado com a falta de combatividade do jogador. O resultado foi 1/6, 7/5 e 6/1 para Cilic, de virada. "Nunca vi nada igual no tênis", disse o inconformado tenista russo, que se julga vítima de toda essa situação e estaria sendo "perseguido". "Quando cometi uma dupla falta, o juiz me advertiu por causa de meu comportamento. Isso é intolerável e inaceitável." A decisão do juiz não veio sem precedentes. Durante um dos intervalos, ao perceber que Davydenko não estava mais jogando com a mesma intensidade, perguntou ao jogador se estava sentindo algum problema físico. A resposta, inicialmente, foi a de que não tinha nenhum problema. Mais tarde, porém, a história mudou. "De repente minhas pernas entraram em colapso. Não conseguia mais me mover na quadra como antes. Queria ganhar o jogo, sim, mas não foi possível", declarou Davydenko, que cometeu 10 duplas faltas, quatro no segundo set e outras seis no terceiro e decisivo. No torneio de Sopot, na Polônia, Davydenko perdeu um jogo para o argentino Martin Vassallo Arguello. Embora fosse o grande favorito, as casas de apostas receberam mais de US$ 8 milhões em indicações para o argentino, pouco expressivo no circuito. O episódio deu início às investigações. A atitude da ATP demonstra mudança em seu comportamento justamente dois dias depois de a Federação Australiana de Tênis ter anunciado que irá excluir de seu torneio, marcado para janeiro, os tenistas envolvidos em escândalos de apostas. As investigações, no entanto, dificilmente poderão provar a participação de tenistas em corrupção. Como lembrou Graham Sharpe, porta-voz da rede de casa de apostas William Hill, tudo é feito dentro do livro de regras da ATP. E a Associação dos Tenistas aceita que atletas desistam de jogos mesmo que não comprovem lesões.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.