S. Silvestre: ex-bóia-fria é favorita

Pouco mais de um ano depois de entrar no bloco das grandes corredoras do País, Maria Zeferina Baldaia, de 29 anos, tornou-se uma das brasileiras com mais chances de vencer a 77ª edição da Corrida Internacional de São Silvestre em 2001. A ex-bóia-fria, que trabalhou cerca de dez anos na roça, principalmente no corte de cana-de-açúcar na região de Sertãozinho, onde mora, porém, prefere manter a humildade."Foi um ano bom pra mim, tanto em provas longas quanto em curtas, mas vou participar e ver no que vai dar", disse ela, nesta quarta-feira, após receber outro apoio importante, agora da Mizuno.Até a metade de dezembro do ano passado, Maria Zeferina bancava seus custos, mas a vitória na Maratona Internacional de Curitiba mudou tudo, pois ganhou o patrocínio da Usina Santa Elisa. A ajuda de custo, assistências médica e psicológica, treinador, apoio nutricional e um segurança para os treinos - é isso mesmo, um homem a acompanha, de moto, pelos canaviais da região, para evitar "imprevistos" - deram a ela mais confiança e ânimo.As despesas da usina são de cerca de R$ 5 mil mensais. A partir de agora, terá o fornecimento de materiais esportivos para provas e treinos da Mizuno.Rotina - Maria Zeferina fará a sua segunda participação na São Silvestre neste ano. Em 2000, ainda no início da fase de apoio, foi a 11ª colocada. Mas foi em 25 de janeiro, também em São Paulo, que veio a primeira e grande glória: venceu o Troféu Cidade de São Paulo. Desde então, sempre teve boas colocações nas provas que disputou. Foi campeã da Volta da Pampulha, em Belo Horizonte, em outubro, e foi campeã do Sargento Gonzaguinha, no dia 9 deste mês.Até competiu no exterior e ficou na 14ª colocação na Maratona de Paris, em abril, e 11ª no Mundial de Meia Maratona, em Bristol (Inglaterra), em setembro."Fui para correr mesmo, mas tive alguns dias a mais para passear em Paris." Maria Zeferina não fez um treinamento específico para a São Silvestre e sabe que as quenianas são as favoritas para vencer, mas avisa: "As brasileiras estão bem e acho que vão surpreender, lutando de igual para igual." E acrescenta: "Se as quenianas dispararem, vamos correr ´atrás´ delas." Apesar da humildade, ela sabe, no íntimo, que se conseguir outro bom resultado na São Silvestre, deverá desfilar em carro de bombeiro pelas ruas de Sertãozinho. Mas isso já não é novidade: neste ano, esse ritual virou rotina.

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