?Sabia que o ouro iria chegar?, diz Diego

As duas medalhas de ouro - salto e solo - conquistadas na etapa brasileira da Copa do Mundo de Ginástica Olímpica, no Rio de Janeiro, no fim de semana, "lavaram a alma" de Diego Hypolito. Nas últimas três vezes em que participou da Copa, Diego havia "batido na trave". Foi à final em Stuttgart, Cottbus e Lyon no salto sobre o cavalo, mas ficou na quinta, quarta e sétima posições, respectivamente. "As medalhas são o resultado de trabalho de nove anos. Soube esperar a hora certa. Sabia que um dia o ouro chegaria", desabafou Diego. O primeiro treino de Diego foi aos 7 anos de idade, no Sesi-Santo André, em São Paulo. O incentivo veio da irmã mais velha Daniele Hypólito, 19 anos, que também garantiu uma medalha de ouro para o Brasil, na trave, no Rio. "Eu não gostava de ginástica, mas a Dani insistia", conta. No mesmo ano em que entrou para a ginástica, saiu da equipe quatro vezes. "Achava tudo chato. Mas a minha irmã me incentivou tanto que acabei ficando." Na escola, os amigos "enchiam um pouco o saco" por causa de seu esporte. "Todos os meninos gostavam de jogar futebol e não me incentivavam na ginástica. Com o tempo, mostrei que a ginástica é um esporte difícil, que exige muita força e sacrifício. São poucos que sobrevivem", falou. Sobre as brincadeiras dos amigos, garante que nunca se preocupou. "Não ligo para o que os outros falam." Aos 9 anos, Diego entrou no Flamengo e os primeiros passos foram ensinados pelo técnico Renato Araújo, que está até hoje com ele. "O Renato é responsável por toda a minha evolução." Mesmo treinando em Curitiba, com a equipe brasileira permanente, o ginasta é supervisionado por Renato. No Paraná, Diego divide uma casa com mais três ginastas: Michel Conceição, Rogério Pereira e Mosiah Rodrigues. São sete horas diárias de treinamento, além de aulas no colégio (terceiro ano do ensino médio). No próximo ano, pretende cursar Educação Física e, depois, fazer um curso de Fisioterapia. Com a árdua rotina, Diego garante que não freqüenta baladas. Nas raras folgas, diz, "adoro ir no shopping comprar roupa". O consumismo de Diego é bancado pelo salário que recebe de dois patrocinadores: Redecard e Tetra Pak. Além de gastar no shopping, Diego ajuda "a pagar contas na casa dos meus pais (Geni e Wágner), além de dar dinheiro para minha tia (Maria Jacinta)". Quando está no Rio, gosta de ir à praia de Ipanema. "Sinto uma falta enorme da praia. Em Curitiba, acabo matando a saudade da natureza em parques da cidade." Disputar uma Olimpíada é um de seus maiores sonhos. E o fato de não ter conseguido vaga para Atenas, agora em agosto, não o abalou. "Sei que sou muito novo e tenho pelo menos mais dez anos de ginástica pela frente." Outro sonho é fazer com que as pessoas dêem mais valor à ginástica e haja mais apoio financeiro nos clubes, onde são realizados os trabalhos de base." A etapa brasileira serviu para o público ver que não é só o futebol que dá alegria ao País." Ainda neste semestre, Diego busca o tetracampeonato brasileiro juvenil no individual geral, em junho, em Porto Alegre. Também pretende participar das setes etapas da Copa do Mundo e da grande final, que reúne os oito melhores do mundo em cada aparelho, em novembro, na Alemanha.

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