Sacudida na F-1

O curioso dessa sacudida na F-1, com Lewis Hamilton na Mercedes e Sergio Perez na McLaren, é que tudo veio à tona antes de uma palavra oficial de Michael Schumacher anunciando sua segunda aposentadoria. Por trás disso pode estar um destino ainda não revelado do heptacampeão, ou pode ser apenas fruto de uma briga de egos entre os homens que comandam as duas equipes. A McLaren, quando teve confirmada a saída de Hamilton, se apressou em acertar a contratação de alguém que vinha sendo objeto de desejo de outras equipes, como o mexicano Perez, e soltou um comunicado às 4h56 no horário de Brasilia. Antes mesmo do comunicado oficial da Mercedes sobre a contratação de Hamilton, que saiu às 6h46m.

REGINALDO LEME, O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2012 | 03h06

A idéia da McLaren foi a de um jogador de truco. Sem ser exatamente um blefe porque tinha, de fato, uma carta muito boa na mão, ela jogou na mesa o nome de seu novo piloto como um trunfo. Perder Hamilton foi um golpe. Contratar Perez é um investimento de baixo risco e uma jogada de forte impacto. Tentativa de apagar a perda com uma conquista, como resposta imediata a Hamilton, à Mercedes e, de sobra, atingindo também a Ferrari, que tratava Perez como seu futuro piloto.

Dinheiro não foi prioridade de Hamilton até hoje e não seria agora que ele já é um homem rico. Mas a discussão com a McLaren trazia um ingrediente com sabor de vingança. Enquanto a equipe inglesa propunha uma redução no salário, que era de U$ 15 milhões anuais (pouco mais de R$ 30 milhões), a Mercedes aproveitou a oportunidade para aguçar o desejo de vingança do piloto com uma proposta de R$ 200 milhões por três anos. Junte-se a isso uma promessa de melhorias, que já começaram com a contratação de Niki Lauda para ser um consultor.

A carreira de Hamilton foi construída pela McLaren desde que ele tinha 11 anos, mas a Mercedes foi parceira da equipe inglesa em grande parte. No kart, ele já era apoiado pela montadora alemã e, coincidentemente, tinha Nico Rosberg como companheiro. Continuou assim na F-3, levando-o a conquistar o título em 2005. E em 2006, quando foi campeão da GP2 derrotando Nico Rosberg. A partir de 2007, Hamilton disputou 104 grandes prêmios na F-1, somando 20 vitórias, 24 pole positions, 48 pódios e o título mundial de 2008. É um dos quatro campeões mundiais com motor Mercedes-Benz, ao lado de Juan Manuel Fangio, Mika Hakkinen e Jenson Button.

Eu ouvi sobre a saída de Hamilton da McLaren para a Mercedes nos últimos três meses e, por mais que soasse estranha para mim e para tantas outras pessoas nos paddocks e salas de imprensa da F-1, sempre achei que ele era suficientemente louco para isso. Quanto à nova aposentadoria de Schumacher, pra mim foi conclusivo o descuido de Bernie Ecclestone, quando deixou escapar um lamento pelo fato de o alemão "sair sem conseguir vencer um GP". Mas, diante de todas as bombas que começaram a estourar e da ausência de um anúncio de despedida do alemão, me vem à lembrança um comentário do amigo João de Mattos ainda na metade do ano. Ele me disse que tinha ouvido de uma pessoa influente na Mercedes que Hamilton substituiria Schumacher, e que o alemão voltaria a ser piloto da Ferrari.

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