Saiba por que os atletas brasileiros ganharam tantas medalhas no Parapan

Delegação nacional faz campanha histórica e trabalha para ser Top 10 em Tóquio-2020

Paulo Favero, O Estado de S. Paulo

02 de setembro de 2019 | 18h48

Caro leitor!

O Brasil confirmou sua condição de potência paralímpica. A equipe nacional voltou dos Jogos Parapan-Americanos, de Lima, com sua maior campanha da história. Foram 308 pódios no total, com 124 medalhas de ouro, 99 de prata e 85 de bronze. Só para ter uma ideia, a quantidade de primeiros lugares do Brasil é maior do que a soma dos ouros de Estados Unidos (58), segundo colocado, e México (55), terceiro.

O Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) festejou a campanha, que contou com seis medalhas de ouro do nadador Daniel Dias, que se consagrou como o maior nome paralímpico do País. Com o feito em Lima, ele chegou a 33 medalhas de ouro na história dos Jogos Parapan-Americanos. Aliás, ele sempre que disputou ficou na primeira posição.

Mas o que torna o Brasil uma potência paralímpica? O primeiro ponto, sempre muito comentado por especialistas, é que as duas principais modalidades, as que contribuem com mais medalhas em cada edição do Parapan ou Jogos Paralímpicos, estão sob os cuidados do CPB. Natação e atletismo não possuem uma confederação paralímpica. Então a gestão é feita pela entidade maior, com o incremento de recursos para viagens e treinamentos.

Então, no atletismo e na natação paralímpica o Brasil possui um treinamento de ponta, com grandes estrelas mundiais, que chegam nas edições dos Jogos Paralímpicos e brigam pela medalha de ouro. É o caso do próprio Daniel Dias, e também do velocista Petrúcio Ferreira, que em Lima ganhou duas medalhas de ouro e uma de prata, na prova de revezamento universal.

Além de ter duas grandes modalidades em seu guarda-chuva, o CPB também já está colhendo os frutos do legado dos Jogos do Rio, em 2016. O principal deles é o Centro de Treinamento em São Paulo, às margens da rodovia dos Imigrantes. É lá que o comitê vem treinando atletas de elite e revelando talentos em programas específicos com jovens e crianças.

Quase todos os atletas paralímpicos têm uma história triste por trás de sua deficiência. Pode ter sido vítima de uma bala perdida, de um acidente de carro, de um problema médico ou mesmo já ter nascido com uma deficiência. Mas o que todos têm em comum é que são atletas de ponta, que treinam duro e ajudam o Brasil a sempre subir cada vez mais no quadro de medalhas.

O calendário para esse ano reserva ainda boas competições, como o Mundial paralímpico de natação, de 9 a 15 de setembro, em Londres, e o de atletismo, em Dubai, de 7 a 15 de novembro. Mas o principal foco está nos Jogos Paralímpicos de Tóquio. Lá, o Brasil tem como meta se manter no Top 10 no quadro de medalhas - nos Jogos do Rio, ficou na oitava posição. / COM RAPHAEL RAMOS

 

 

Paulo Favero

Paulo Favero

Reporter

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.