Saída de Andrés Sanchez é uma jogada política do presidente Marin

Dirigente da CBF 'lima' último aliado de Teixeira e busca aproximação com a presidente Dilma

Almir Leite e Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2012 | 02h04

SÃO PAULO - Andrés Sanchez pediu demissão ontem do cargo de diretor de seleções da CBF dizendo que não queria ser uma "rainha da Inglaterra'', mas o que ele não disse é que pretende se tornar uma pedra nos sapatos da dupla José Maria Marin e Marco Polo del Nero. O ex-presidente do Corinthians tem reais pretensões de assumir o comando da entidade e vai, a partir de agora, tornar-se oposição aos atuais comandantes.

A queda de Andrés teve vários motivos. O principal deles foi o fato de ter sido nomeado para a CBF, pouco mais de um ano atrás, pelo ex-presidente da entidade, Ricardo Teixeira. Desde que assumiu o poder, em março desde ano, Marin, incentivado por Del Nero, afastou da entidade diversos funcionários, de vários escalões, ligados ao antecessor. O então diretor de seleções e o técnico Mano Menezes foram "limados'' por conta dessa "filosofia''.

O jeito intempestivo de Andrés também não agradava, mas outro motivo também pesou: a tentativa de Marin de se aproximar da presidente Dilma Rousseff.

O plano pode não dar certo. Dilma jamais tolerou Teixeira e Marin também não lhe é muito simpático, por ter servido ao governo militar. Tem evitado uma aproximação e encarregou o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, de tratar dos assuntos que têm a participação da CBF. O mesmo vale para o Comitê Organizador Local (COL), em eventos que tem a presença de Marin.

O presidente da CBF se desdobra para tentar se aproximar. Ontem, por exemplo, na entrevista que abriu as atividades da Fifa para o sorteio da Copa das Confederações, Marin sentou-se ao lado de Rebelo e, ao falar, reservou agradecimentos para a "grande integração entre CBF e COL com o governo federal''.

O problema é que Andrés é aliado do ex-presidente Lula - que tenta até colocá-lo na secretaria Municipal de Esportes de São Paulo - e vai trabalhar para evitar uma aproximação de Marin com Dilma.

Em outra frente, pretende alicerçar sua candidatura à eleição da CBF que ocorrerá em 2014. Para isso, pretende usar seu prestígio com alguns presidente de clubes e também cortejar presidentes de federações, estes atualmente bastante paparicados pela dupla Marin/Del Nero.

Andrés não engole a fritura a que foi submetido e a humilhação de somente ter sido ouvido na demissão de Mano Menezes - apenas foi comunicado. Mais do que isso, ficou irado ao saber que a cúpula da CBF conversava com Felipão nas suas costas.

Marin e Del Nero, internamente, estão fortalecidos na CBF. Tomam cada vez mais para si as decisões administrativas e ao contratarem Felipão e Carlos Alberto Parreira para coordenador técnico tiram das costas a responsabilidade de um fracasso. E colherão os louros em caso de sucesso.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.