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Saída de famílias perto do Parque Olímpico vira documentário

A polêmica remoção de famílias da Vila Autódromo vira enredo de filme independente dirigido pelo jornalista Felipe Pena

MARCIO DOLZAN, Estadão Conteúdo

18 de novembro de 2014 | 15h52

O processo de remoção de famílias da Vila Autódromo, localizada ao lado do Parque Olímpico, na zona oeste do Rio, ainda gera muita controvérsia. Centenas de moradores aceitaram a oferta da Prefeitura e se mudaram para um condomínio localizado a um quilômetro do local. Mas outras centenas preferem continuar na vila onde vivem há décadas. Assim, precisam conviver com a falta de infraestrutura e com o entulho que se acumula com a derrubada paulatina das casas.

Esse é o tema do documentário "Se Essa Vila Não Fosse Minha", lançado nessa terça-feira no Rio. Produzido pelo jornalista Felipe Pena com a colaboração de amigos, o filme não recebeu nenhum tipo de financiamento e se apresenta como "o lado B da Olimpíada".

"A gente fala muito em legado na Olimpíada. Será que legado é só ferro e concreto? E o legado humano?", questiona Pena. "Aquela comunidade é símbolo da Olimpíada, porque está ao lado do Parque Olímpico."

O documentarista assegura que o filme, produzido no fim do ano passado, não pretende ter um papel político. E, apesar de dar maior destaque à situação da Vila Autódromo e usar expressões como "parece a Berlim de 1945", Pena também se preocupou em mostrar a opinião de quem aceitou se mudar para o condomínio Parque Carioca. Alguns falam muito bem do local, que tem piscina com toboágua e quadras de esportes, enquanto outros dizem se arrepender da mudança e relatam problemas de infiltração.

A sessão de estreia de "Se Essa Vila Não Fosse Minha", realizada em um cinema da zona sul do Rio, contou com a presença de um grupo de moradores que não pretende sair da Vila Autódromo. Dentre eles estava Altair Antunes Guimarães, que dirige a associação de moradores.

"Eu não coloco a culpa (pelas remoções) na Olimpíada. Sabe por quê? Porque qualquer governante, em qualquer país do mundo, pode fazer as duas coisas. Pode ter as comunidades e fazer a Olimpíada. O governo, quando quer, dá cara nova. Os Jogos vão acontecer do muro para dentro, e minha comunidade é do muro pra fora", destacou Guimarães, que aparece diversas vezes no documentário. "O que a gente quer do prefeito é que ele apresente um projeto para aqueles que querem ficar."

Os produtores do filme negociam agora a exibição em um canal de TV por assinatura. Por enquanto, não estão previstas novas sessões nos cinemas, mas o documentário tem sido inscrito em festivais de cinema. No último final de semana, foi exibido em Pequim.

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