Salto alto. E os garotos do Brasil param na Bolívia

Time joga futebol ruim, demonstra soberba e fica apenas no 1 a 1 com o frágil adversário. Mas se garante na fase final

Wagner Vilaron, O Estado de S.Paulo

24 de janeiro de 2011 | 00h00

Com atuação ruim e certa dose de salto alto, o Brasil só empatou com a frágil Bolívia por 1 a 1, ontem, em Moquegua, no Peru. O resultado, embora decepcionante, serviu para garantir a classificação brasileira para a fase final do Sul-Americano Sub-20, que classifica os dois primeiros colocados para os Jogos Olímpicos de Londres e os quatro melhores para o Mundial da categoria, em julho, na Colômbia. Com sete pontos, o time comandado por Ney Franco lidera o Grupo B. O Equador bateu o Paraguai por 1 a 0 e tem quatro

Ney Franco terá alguns problemas para resolver nos próximos dias. A seleção se mostrou deficiente em vários aspectos. Os jogadores de defesa não conversam, característica que complica o trabalho de posicionamento. No meio houve pouca movimentação, o que facilitou a marcação adversária.

Neymar resumiu bem o que ocorreu. "Não podemos jogar desligados, desconcentrados. Precisamos manter a pegada o tempo todo."" O treinador adotou discurso parecido. "Fomos superiores tecnicamente, mas achamos que venceríamos quando quiséssemos. E não é bem assim. A Bolívia foi guerreira.""

O Brasil volta a campo na noite de amanhã para quarta-feira, à 0h10, em Tacna, contra o Equador. Como folga na última rodada, a seleção terá quase uma semana para se preparar para a fase final. "As mudanças que temos feito devem-se ao que os jogos pedem. Vamos aproveitar o tempo que teremos para não colocar nosso trabalho em risco.""

Com o trio ofensivo, formado por Henrique, Willian e Neymar, sem muito espaço para jogar, Ney Franco optou por explorar os lados do campo, especialmente o direito. E foi por aquele setor que o Brasil criou as melhores chances contra uma Bolívia bem posicionada na defesa. Casemiro, foi um dos destaques, com boas chegadas à frente. Em uma jogada por aquele setor, aos 41 minutos, Danilo cruzou e Henrique acertou chute de primeira para abrir o placar.

O segundo tempo foi marcado por duas bolas na trave do Brasil e uma polêmica substituição realizada por Ney Franco: tirou o volante de marcação Zé Eduardo e mandou a campo o meia Oscar. O revezamento para proteger a zaga foi falho e a Bolívia chegou ao empate aos 31. O zagueiro Bruno Uvini falhou e Ríos se aproveitou para marcar.

O Brasil jogou com Gabriel; Danilo (Galhardo), Bruno Uvini, Juan e Alex Sandro; Zé Eduardo (Oscar), Casemiro e Lucas; Henrique (Diego Maurício), Willian e Neymar.

Racismo. Pela segunda vez nesse Sul-Americano, brasileiros são alvo de manifestações racistas no Peru. Na estreia, contra o Paraguai, a vítima foi o zagueiro Juan. Ontem, o atacante Diego Maurício motivou alguns torcedores a fazerem ruídos, como se fossem macacos, a cada toque na bola. O atleta do Flamengo procurou contemporizar: "Não percebi lá no campo, na hora do jogo. Mas fico muito triste em saber que isso tenha acontecido"".

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