Santo André leva o título da Liga Feminina

No ABC, time da técnica Laís Elena vence Ourinhos por 65 a 49, com grande atuação[br]no segundo tempo

Alessandro Lucchetti, O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2011 | 00h00

Com um sorriso discreto, a técnica Laís Elena, do Santo André, recebeu o abraço e os parabéns de Hortência, a dirigente responsável pelo basquete feminino. No ano passado, ela contratou o espanhol Carlos Colinas para comandar a seleção feminina, alegando que não havia boas opções entre os treinadores brasileiros. A justificativa repercutiu mal na categoria.

Foi o único momento em que o rosto da treinadora de Santo André não refletiu fielmente a alegria pela conquista do título da primeira Liga de Basquete Feminino. Na final, em São José dos Campos, o time do ABC foi mais regular e eficiente, e derrotou a esforçada equipe de Ourinhos por 65 a 49 (26 a 27).

O domínio no segundo tempo foi tão amplo que Antônio Carlos Barbosa, treinador da equipe interiorana, chegou a desabafar, nos minutos finais. "Vamos perder, mas vamos perder de cabeça erguida."

Laís já chegou a ser auxiliar de Barbosa nos tempos em que o adversário de ontem era o treinador da seleção feminina. Num episódio jamais devidamente explicado, deixou o cargo. Nos bastidores do basquete feminino, comenta-se que foi por medo de viajar de avião. Ontem, no entanto, a treinadora, que trabalha no comando da equipe do ABC desde 1983, não teve receio de fazer as alterações necessárias.

Sua armadora preferida, Kátia, não rendeu o esperado e foi trocada por Paula, que distribuiu o jogo com eficiência.

No garrafão, a ala-pivô Ega e sobretudo a pivô Simone fizeram um trabalho defensivo que foi a chave da vitória. Simone, única jogadora remanescente do time de Santo André campeão nacional de 1999, fez um duplo-duplo (aproveitamento de dois dígitos em dois itens), com dez pontos e 17 rebotes.

Micaela, que estava desacreditada e ficou fora das últimas convocações da seleção brasileira, terminou como a cestinha da decisão, com 15 pontos, ao lado de Djane, de Ourinhos.

Logo atrás ficou a cubana Ariadna, que fez 14 e acabou escolhida como a melhor jogadora da Liga, além de ter sido a cestinha da competição. Laís foi reconhecida como a melhor treinadora, e Bethânia, de Ourinhos, a líder em assistências.

Com simplicidade, Laís explicou como motivou o Santo André a voltar melhor no segundo tempo. "Falei que não era possível chegar na hora de comer o bolo e ficar com a vela na mão", contou. Depois comemorou. "O trabalho foi intenso desde o início. As meninas queriam esse título", afirmou. "Para nós era muito importante, pois era a primeira edição da liga em uma cidade que tem mais de 50 anos de basquete sem interrupção", disse. "Elas foram guerreiras, lutaram muito, não tinha bola perdida. Mérito delas e da torcida."

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