Santo André renasce com equipe jovem e barata

Time do ABC reduziu a folha salarial, apostou em garotos e, 4 meses após queda para Série B, joga a final do Paulista

Ana Paula Garrido, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2010 | 00h00

Se dizem que o tempo passa rápido, para o Santo André, o cenário mudou da noite para o dia. A equipe não lembra em nada àquela que foi rebaixada da série A do Brasileiro, ano passado. Jogadores experientes, como Marcelinho Carioca, foram dispensados. No lugar, jovens ? a média de idade passou de 32 anos para 23 ?, vindos de outros clubes e da categoria de base. A folha salarial do clube passou de R$1 milhão para R$ 600 mil mensais.

E foi com esse elenco, bem mais enxuto financeiramente, que o time do ABC surpreendeu e se classificou para a semifinal com três rodadas de antecedência. Foi a segunda melhor campanha do campeonato, apostando na mesma fórmula utilizada pelo seu adversário hoje: velocidade no ataque. Por enquanto, o grupo comandado por Sérgio Soares fez 48 gols, 19 a menos que os garotos da Vila.

A diferença ofensiva e de elenco, no entanto, não intimida os atletas. "O Santos terá de suar para ganhar da gente", avisou o atacante Nunes, que, lesionado, ainda é dúvida para a partida.

A zaga, porém, está mais apreensiva com a equipe sensação da temporada. "Eles estão preocupados porque vão enfrentar dois grandes atacantes, mas isso não pode passar na hora do jogo", disse o treinador Sérgio Soares.

O fato de o Santos já ser apontado como campeão foi usado como arma positiva pelo grupo. "É bom ter o foco neles, passamos o campeonato inteiro como azarão, vamos até o fim assim", apontou Nunes.

Motivação. Para espantar qualquer situação de desânimo que possa abater os atletas ou mesmo torcedores, o time relembrou a experiência de 2004, quando a equipe conquistou o título da Copa do Brasil, vencendo por 2 a 0 o Flamengo, tido como campeão, na véspera. "Vamos botar um vídeo para os jogadores, porque a situação é bem parecida", contou Soares.

O goleiro Júlio César, único no time atual que foi titular daquela final, se lembra bem dos fatos. "Ninguém acreditava. O Flamengo e o Vitória fizeram a semifinal e todos também disseram que seria a final antecipada", recorda. No entanto, ele faz ressalvas em relação a qualidade dos adversários. "A gente era superior a eles. Agora será mais difícil, mas mesmo sendo um time pequeno, encaramos o jogo de igual para igual", comparou.

Sem novidades. O time voltou a ficar concentrado em Barueri. Durante a semana houve treinos fechados, mas o técnico descartou novidades no esquema tático. "Depois de 22 jogos, não tem mais surpresa. Só precisa estar preparado para uma situação ou outra. E nós estamos", afirmou.

Entre os jogadores, as estratégias se dividem. Há quem diga priorizar a marcação e quem não pensa em recuar. "Vamos reforçar a marcação. A ideia é jogar nas costas dos alas, para ir para o mano a mano com zagueiros", contou Rodriguinho. "O jeito é ferir o Santos com a própria arma deles, indo para o ataque", indicou Nunes.

O atacante tem certeza de que vai jogar. Tal determinação tem dois motivos: realizar um sonho de criança, de ser campeão, e compensar o rebaixamento no Brasileiro, em 2009. "Vou conseguir o título, nem que seja na marra", disse.

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