Santos acata restrição, mas promete troco ao Corinthians

Clube fica indignado por receber 2,1 mil ingressos e pretende fazer o mesmo na Vila

Fábio Hecico e Sanches Filho, O Estadao de S.Paulo

18 de março de 2009 | 00h00

O clássico de domingo, entre Corinthians e Santos, está quente nos bastidores. Tudo por causa da divisão dos ingressos. O Alvinegro mandou apenas 2,1 mil ingressos aos santistas, pouco mais de 6% da cota de 34,5 mil, o que irritou os visitantes, que cobravam na Federação Paulista de Futebol receber 10%."Existia uma tradição no futebol paulista de todos os clássicos serem no Morumbi. De um tempo para cá mudou, pois o Santos foi o primeiro a romper e dizer que não abria mão da Vila Belmiro. Nos últimos três anos fomos lá e não recebemos mais do que os 6%. Estamos retribuindo e ainda dando a possibilidade deles comprarem as numeradas, o que não fazem lá", afirmou o diretor de futebol corintiano Mário Gobbi.O dirigente garante, ainda, estar munido de duas cartas, uma do Major da Polícia Militar José Balestiero Filho, outro do Ministério Público, solicitando que a carga aos visitantes não fosse acima de 5% para evitar confusão. "Cumprimos a lei", garante Gobbi, que afirmou não ter havido um acordo com o Santos para confronto em local neutro com divisão de renda, como feito com o Palmeiras. "Eles insistem em mandar os clássicos na Vila, então não podem ser considerados mandantes na capital (dividir o estádio)."O Santos aceitou sob protesto a decisão do Corinthians de determinar o setor lilás do Pacaembu e destinar apenas os 2,1 mil ingressos aos santistas. O vice-presidente Norberto Moreira disse ontem à tarde que o clube lutou até onde foi possível, e promete o troco. "Não tivemos outra alternativa porque a Polícia Militar enviou ofício à FPF informando que por questões de segurança só poderão ser vendidos 2 mil ingressos do setor lilás. Queríamos que a nossa torcida ficasse no tobogã, como em outros clássicos, mas o Corinthians não concordou", disse. "Aceitamos a decisão, mas a recíproca vai ser verdadeira."O regulamento do Campeonato Paulista não determina a carga de ingressos a ser destinada ao clube visitante, como faz o Regulamento Geral das Competições da CBF, que estipula 10%. "Esperava uma postura diferente do Andrés Sanchez (presidente do Corinthians). Ficamos admirados por eles tomarem a medida sem fazer nenhum contato conosco", seguiu Norberto. "Olhei o regulamento e vi que eles têm direito de fazer isso. Pleiteamos os 10%, mas não foi possível. Só nos resta respeitar e obedecer as decisões da PM.""O Santos precisa definir a vida dele. Quer jogar com o Corinthians aonde? Um lá e outro aqui, ou num lugar de comum acordo e dividimos ingresso?", questionou Gobbi. "Não pode ter dois pesos e duas medida. Sem consenso, como houve entre Corinthians e Palmeiras, aplica-se a lei", endossou o corintiano.Sobre a redução do preço dos ingressos aos santistas, de R$ 40,00 para R$ 20,00, Gobbi explicou que foi pelo fato de os visitantes ficarem na arquibancada. "Se fosse no tobogã, poderíamos majorar os preços", seguiu. FOGO CRUZADOMário GobbiDiretor do Corinthians"Existia uma tradição de todos os clássicos serem no Morumbi. O Santos rompeu e disse que não abria mão da Vila Belmiro."Norberto MoreiraVice-presidente do Santos"A PM enviou um ofício à FPF informando que apenas 2 mil ingressos poderiam ser vendidos no setor lilás. Aceitamos, mas a recíproca será verdadeira."

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