Santos bate Fla em duas arrancadas e respira

Empate seria desastroso para time de Muricy, que conta com o talento de Victor Andrade e Neymar para ganhar no finalzinho

GONÇALO JUNIOR, O Estado de S.Paulo

13 de setembro de 2012 | 03h01

Duas arrancadas - uma de Victor Andrade e outra de Neymar - em dois minutos, no final da partida, garantiram uma vitória sofrida para o Santos por 2 a 0 sobre o Flamengo, na Vila Belmiro, e evitaram um empate que seria desastroso. Um minuto antes do primeiro gol, Vágner Love havia acertado a trave.

O resultado, conquistado a partir dos 39 do segundo tempo, interrompeu uma série de quatro jogos sem vitória e arrancou um suspiro de alívio dos santistas, que começaram a se preocupar com a zona de descenso.

O Flamengo continua descendo a ladeira. Com 27 pontos, é o primeiro clube fora da zona de rebaixamento com quatro pontos de vantagem para o Sport.

Embora providencial, o resultado foi enganoso. Nem com a escalação ideal proclamada por Muricy Ramalho - com o próprio astro santista, Arouca e Patito Rodríguez adiantado -, o Santos conseguiu contornar os problemas anteriores: desconexão entre defesa, meio e ataque; erros constantes de passe, morosidade na armação de jogadas e a falta de variações ofensivas.

As duas equipes tiveram atuações coerentes com suas campanhas. Até ontem, eram as piores do segundo turno - ambas haviam conquistado apenas um ponto em quatro partidas, sem vencer no returno.

Como já ficou claro, ninguém se lembrou daquele jogo histórico de 7 de julho de 2011, quando Neymar e Ronaldinho Gaúcho (hoje no Atlético-MG) fizeram um grande duelo e o santista fez o gol mais bonito do ano para a Fifa. A partida de 2012 foi mais um duelo tático, centrado na mexida das peças, e não uma disputa técnica. Para cada iniciativa santista, como o deslocamento de Patito pela direita, uma resposta rubro-negra. No caso, uma marcação mais adiantada para impedir a criação da jogada e o avanço dos laterais.

Esse movimento, por sinal, encurralou os santistas, que não conseguiram mais criar. Foi uma arapuca da qual o Santos não conseguiu se safar. Isso se refletiu nas poucas chances de gol, três mais precisamente: uma falta bem batida por Neymar no início, um chute poderoso de Ibson que Rafael, bem colocado, defendeu e um toque de letra de Vágner Love, que passou rente.

O técnico Dorival Junior classificou o estágio atual do time como um "momento de transição", mas o Flamengo ainda não chegou a algum lugar. Mostrou disciplina, disposição e grande eficiência defensiva. E pouco talento. Operários treinados para destruir, não construir.

Pato Rodríguez, uma das esperanças santistas, deu o ar de sua graça só aos 18 do segundo tempo, quando acertou um chute de fora da área para Felipe defender bem. Muricy demorou a mexer, mas foi certeiro. Tirou o inoperante André para colocar o serelepe Victor Andrade que, em seu primeiro lance de perigo, recebeu passe de Bruno Peres e reescreveu o jogo. Junto com Neymar, dois minutos depois.

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