Santos chega com mais segurança do que torcedor

Cerca de 50 santistas fazem festa durante desembarque em Cumbica; clube temia protesto e exagera na proteção

DANIEL AKSTEIN BATISTA , O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2011 | 03h04

Há duas semanas, mais de mil pessoas se aglomeravam e se acotovelavam no aeroporto internacional em Guarulhos para desejar boa sorte ao Santos, que viajava para o Japão. Na madrugada de ontem, os torcedores não chegavam a 50, mas os que acordaram cedo fizeram questão de parabenizar os vice-campeões mundiais, que desembarcaram sob forte esquema de proteção.

Havia a dúvida se o elenco passaria pelo saguão do aeroporto ou se o ônibus que levaria a delegação até o litoral estaria esperando na pista mesmo. Mas foi só a movimentação de seguranças começar que a resposta foi dada. Temendo protestos que não se confirmaram, o Santos ignorou as demonstrações de apoio dos torcedores.

Os aplausos foram direcionados principalmente aos ídolos Ganso e Neymar, que pouco puderam fazer na derrota por 4 a 0 para o Barcelona na decisão. Claramente cansados após uma viagem de 26 horas, que começou no Japão e teve escala na Alemanha, os jogadores evitaram entrevistas. E mesmo aqueles que queriam falar alguma coisa eram impedidos pelos seguranças.

Blindagem. O clube resolveu reforçar a segurança e exagerou. Ao contrário do que se vê em chegada de qualquer time, quando os jogadores saem pelo saguão todos juntos, desta vez os atletas saíram separadamente. Elano foi o primeiro a ir embora, e foi também o único a sair sozinho - a escolta santista ainda não havia chegado e ele preferiu partir em carro particular. "Agora é hora de descansar, não é momento de falar muito", resumiu o atleta que foi preterido por Muricy Ramalho na decisão contra o Barcelona - ele ficou na reserva.

Após Elano, foi a vez dos dois astros santistas aparecerem. E aí começou a confusão. Os gritos histéricos de algumas meninas deram o sinal: Neymar estava na área. E, com ele, dez seguranças o cercando para levá-lo até o carro. No curto caminho, o jovem caminhou quieto e viu placas e portas serem levadas. O mesmo aconteceu minutos depois, com Paulo Henrique Ganso. O clube, que apostou alto no marketing da dupla antes do Mundial, se esforçou para poupar os dois de uma recepção hostil.

A cena se repetiu diversas vezes. Com Muricy, Borges, Rafael e até jogadores menos consagrados, como Aranha e Felipe Anderson. Apesar do forte esquema de segurança, usado principalmente para afastar os jornalistas que tentavam algum contato com os jogadores, a torcida exaltou o elenco do começo ao fim.

Alguns levaram bandeiras da equipe, outros trajavam a camisa santista. E todos eles cantavam o hino do clube e o nome dos atletas. Borges garante, porém, que a presença dos fãs não foi surpresa. "Já esperava esse apoio, pois não perdemos para qualquer time, e sim para o Barcelona", disse o artilheiro do Brasileiro (23 gols), que balançou a rede uma vez no Mundial.

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