Santos e Ganso batem cabeça ao explicar os 10%

Enquanto jogador garante que notificou o clube antes de fazer negócio com grupo DIS, diretoria desmente informação; clima é ruim

LUIS AUGUSTO MONACO / NAGOYA ENVIADO ESPECIAL, O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2011 | 03h00

Há algo nebuloso na história da venda para a DIS dos 10% dos direitos econômicos que pertenciam a Ganso. O jogador disse que o clube foi notificado sobre o interesse da empresa em comprar a sua parte e não teve interesse em exercer seu direito de preferência. E a versão oficial do clube, segundo a assessoria de imprensa (nenhum dirigente falou e o presidente Luís Álvaro é esperado hoje na cidade), é de que em nenhum momento a diretoria foi notificada a respeito do assunto e, por isso, não teve chance de analisar se seria interessante comprar a fatia que era do meia e foi parar nas mãos da empresa (que passou a ter 55% dos direitos do craque) por R$ 5 milhões.

Domingo pela manhã, o vice-presidente Odílio Rodrigues se disse "surpreso sob todos os aspectos" com relação à informação, que havia sido confirmada pelo jogador na véspera. E ontem a assessoria de imprensa garantiu que a diretoria - inclusive o presidente, que estava em Cingapura - só tomou conhecimento do assunto por meio da matéria publicada pelo Estado.

Aí surge um nó que precisa ser desfeito: o clube diz que nunca soube da intenção de Ganso em vender sua parte, e o meia afirma que o Santos foi comunicado e teve um mês para decidir pela compra. No caso da versão santista, há mais uma dúvida: se o contrato determina que o clube precisava ser notificado se aparecesse uma proposta pela parte de Ganso, a operação fechada sem seu conhecimento tem validade?

Ação. Em Nagoya tem gente do Santos falando em ir à Justiça para anular a venda. No Brasil, a informação é de que a DIS está tranquila quanto à legitimidade da transação. "Seria um desrespeito ao contrato fazer tudo às escondidas, e a venda seria facilmente anulada. Não foi isso o que aconteceu", disse uma fonte.

Ainda de acordo com esta pessoa, o que a DIS fez foi dar uma satisfação para o jogador - que já pegou um dinheiro que normalmente os atletas não recebem nas transferências (é normal terem de abrir mão da parte que lhes cabe para ajudar o negócio a ser fechado). E, sobre o fato de pessoas do Santos estarem dizendo que a empresa não fez nada mais do que "devolver" a Ganso os R$ 5 milhões que supostamente ele deixou de ganhar por não ter assinado o contrato proposto pelo clube no início do ano, a fonte argumentou que o meia ganha bem mais do que isso por ano de seus patrocinadores. Ele tem acordo com Gillette, Pepsi, Gatorade e Samsung até 2014, e com a Nike até 2018. Em todos, Ganso possui 100% dos valores. Para acertar novo contrato com o Santos, ele teria que ceder parte destes rendimentos ao clube alvinegro.

Irritação. O fato é que, apesar do silêncio, a diretoria acusou o golpe de ver mais uma vez o jogador mostrar-se mais próximo da DIS do que do clube. E também ficou irritada por o assunto ter vindo à tona perto da estreia do time no Mundial.

Em off, integrantes da delegação santista avaliam que Ganso pode sair bem chamuscado desta história se o time não fizer um bom Mundial . Com base no que têm lido de comentários em sites brasileiros - a maioria criticando a atitude do jogador - essas pessoas avaliam que ele corre o risco de ser escolhido para Cristo caso o time fracasse.

A intenção da diretoria é conversar com Ganso depois do Mundial para tentar um novo contrato, com direito a um projeto de marketing semelhante ao que tem Neymar. Mas dependendo do que acontecer esta semana no Japão, pode não haver clima para isso.

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