Santos e Ganso batem cabeça. De novo

Diretoria diz que não recebeu notificação sobre a venda dos 10% do jogador à DIS; dirigente destaca facilidade com a qual o meia se envolve em polêmicas

DANIEL AKSTEIN BATISTA, O Estado de S.Paulo

23 de dezembro de 2011 | 03h06

Enquanto Neymar desfruta de seu prestígio e desfila como astro neste fim de ano em partidas beneficentes pelo País, Paulo Henrique Ganso anda com seu futuro indefinido. Ninguém garante sua permanência em 2012 no Santos, clube com o qual tem contrato até 2015, e ele ainda se vê mais uma vez envolvido em confusões extracampo.

O problema da vez são os 10% dos seus direitos econômicos que lhe pertencem. Ainda no Japão, quando o time não havia nem estreado no Mundial de Clubes, ele havia dito que vendera sua porcentagem à DIS e que o Santos, que tem a prioridade da compra, não a havia exercido. E ele contou tudo isso chateado, como se estivesse sido deixado de lado pelo clube.

Na volta do Japão, o discurso de Ganso mudou. E os fatos mudaram. De acordo com o advogado do clube, Luciano Mota, o Santos foi notificado apenas anteontem de que a DIS está interessada nos 10%. E o prazo para o clube cobrir (ou igualar) a proposta da empresa, de R$ 5 milhões, é de 10 dias. Ganso, no entanto, já tem tudo acertado verbalmente com a DIS.

Santos e DIS possuem, cada um, 45% dos direitos do meia. E a relação dos dois durante a temporada nunca foi da mais tranquilas - a empresa, aliás, chegou a ameaçar colocar o jogador no Corinthians, em agosto.

Ganso também não está satisfeito com o clube. No ano passado, a promessa do presidente Luís Alvaro de Oliveira Ribeiro era a de dar ao jogador um plano de carreira parecido com o elaborado para Neymar. Ganso, no entanto, se machucou gravemente em agosto de 2010 e o aumento salarial nunca veio - ele recebe cerca de R$ 130 mil mensais.

Nas diversas reuniões que teve neste ano, Ganso pediu para cair pela metade a multa contratual para clubes de fora do País, estipulada em 50 milhões (R$ 121 milhões). O valor para clubes brasileiros é de R$ 60 milhões. A diretoria alvinegra não aceitou a proposta do craque. Ganso já foi procurado nesta temporada por Corinthians e Milan, mas nenhuma oferta oficial chegou à mesa dos diretores do Santos ou da DIS.

E os 10%? O Santos ainda não se pronunciou se vai ou não ficar com os 10% dos direitos de Ganso. A ideia de Luís Alvaro é dar uma resposta apenas na semana que vem, após o Natal.

Pelo Santos, Ganso seguiria na Vila até o final do seu contrato. O projeto, aliás, é finalmente dar um aumento salarial ao jovem já em janeiro, pulando para cerca de R$ 600 mil seu salário.

Mas para Pedro Luiz Nunes, diretor de futebol santista, o comportamento de Ganso nesses últimos meses tem sido muito estranho. "A gente não consegue entender como um jogador com a categoria do Paulo, com a capacidade técnica dele, consegue periodicamente se envolver neste tipo de polêmica e no que isso pode agregar ao atleta", disse à Rádio Estadão ESPN, reclamando ainda da DIS. "Desde o ano passado os procuradores bateram no mercado tentando vendê-lo em todos os campos da Europa e até em clubes brasileiros", declarou o dirigente.

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