Santos já teme fim do time das goleadas

Santos já teme fim do time das goleadas

Diretoria promete esforço para manter os Meninos na Vila, mas admite: assédio europeu não para de crescer

Sanches Filho, ESPECIAL PARA O ESTADO, SANTOS, O Estadao de S.Paulo

24 de março de 2010 | 00h00

O Santos já sente que o time das goleadas pode estar com os dias contados. É que representantes de clubes europeus e empresários estão acompanhando de perto os jogos dos santistas e pedindo informações sobre os valores das multas contratuais dos principais atletas. Por enquanto, são apenas sondagens, mas que poderão resultar em negociações após a Copa do Mundo da África do Sul. Na reapresentação do elenco, na manhã de ontem, no CT Rei Pelé, representantes de três clubes franceses - Lille, Olympique de Marselha e Paris Saint-Germain - assistiram à movimentação dos jogadores e devem acompanhar as próximas partidas do time para formar opinião sobre alguns deles e repassá-las aos interessados.

O assédio começou após o Santos ganhar do Naviraiense por 10 a 0 e aumentou nos dois últimos dias, depois dos 9 a 1 contra o Ituano, domingo à noite, na Vila Belmiro. Por ter jogado no Zaragoza, da Espanha, e ser conhecido na Europa, o gerente Paulo Jamelli é o dirigente santista que recebe o maior número de telefonemas de empresários, representantes de clubes e intermediários pedindo informações sobre o valor da multa de jogadores.

"Duas coisas estão chamando a minha atenção. Quando falamos que a multa contratual de Paulo Henrique Ganso é de 50 milhões (cerca de R$ 120 milhões) e a de Neymar, 35 milhões de euros (R$ 84 milhões), os interessados não se espantam e até passam a impressão de que não consideram altos os valores. Outro é que o interesse não se limita aos principais jogadores, como Neymar e Ganso. Há consultas sobre Wesley, André, Madson e até sobre Zé Eduardo, que vem entrando no time no fim de algumas partidas", afirmou Jamelli.

O dirigente repete o discurso recente do presidente Luís Álvaro de Oliveira Ribeiro, segundo o qual o Santos não pretende se desfazer de nenhum de seus principais jogadores até o término dos dois anos da administração atual, em dezembro de 2011, mas reconhece que o poder do clube é limitado. "Se, por exemplo, o Barcelona depositar os 35 milhões, leva o Neymar. A única possibilidade de o negócio não sair é se o jogador não concordar com a transferência", disse.

Dos titulares do Santos, além de Neymar (o clube tem 60% dos direitos econômicos do atacante e os outros 40% são do Grupo Sonda) e Ganso (50% do clube), Wesley e Marquinhos, considerados versáteis e importantes para um time, e André, por aparecer como goleador, têm mais possibilidade de despertar o interesse de europeus. De todos, André é o mais fácil de ser tirado da Vila Belmiro, em razão de o seu salário ser de pouco mais de R$ 10 mil por mês, resultando em multa de R$ 8 milhões para clubes do Brasil. Além disso, seus direitos são divididos por três: 40% da Cabofriense, 35% do Santos e 25% do Grupo Sonda. O Santos tem alguns jogadores que nem são titulares, mas ganham o teto do clube, que é de R$ 160 mil por mês. Neymar e Ganso ainda não chegaram lá, mas já têm salário de três dígitos.

Giovanni insatisfeito. Giovanni não apareceu para treinar ontem. O meia está insatisfeito por não ter chance de jogar, perdendo espaço até para o garoto Breitner, e estaria disposto a pedir para sair. A informação oficial é de que o veterano craque se recupera da forte gripe que pegou durante a viagem aos Estados Unidos no fim de semana.

Robinho também não participou dos treinos no CT. O atacante continua fazendo tratamento médico para se recuperar da tendinite no músculo adutor da coxa esquerda e fica fora do jogo de amanhã à noite, contra o Botafogo, em Ribeirão Preto. Uma vitória garante a classificação antecipada à equipe.

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