Santos joga suas fichas no interino Claudinei Oliveira

Comando do clube garante que uma derrota no clássico não vai interferir no futuro do técnico na Vila Belmiro

SANCHES FILHO / SANTOS, ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

07 de julho de 2013 | 02h03

O Santos tem poucos motivos para acreditar em vitória no clássico contra o São Paulo. Um deles é ter derrotado o forte Atlético-MG, na Vila Belmiro, no dia 12 do mês passado, antes da paralisação do Campeonato Brasileiro para a disputa da Copa das Confederações. De lá para cá, quase nada foi feito pelo Comitê Gestor do clube para procurar melhorar o time, enfraquecido pela perda de Neymar, a não ser a contratação dos laterais Cicinho (direito) e Mena (esquerdo), que ainda não têm condições de jogo, e o cultivo da esperança de repatriar Robinho, além da venda de Felipe Anderson e Rafael.

Após demitir Muricy Ramalho por não ter conseguido levar o time à conquista do tetracampeonato paulista na decisão contra o Corinthians, a cúpula do clube pensou em revolucionar o futebol santista a partir da contratação de um treinador moderno, mas não teve sucesso nas tentativas com Marcelo Bielsa, desempregado, e, depois, com Gerardo Martino, que disputa as semifinais da Libertadores da América com o Newell's Old Boys, da Argentina, contra o Atlético-MG. Agora, os dirigentes falam em efetivar Claudinei Oliveira e até mesmo em procurar Neya Franco, demitido pelo São Paulo na sexta-feira à tarde.

"Na impossibilidade de contratarmos Bielsa e Martino, Claudinei continua sendo o técnico e tem a nossa confiança. É um desafio, mas trata-se de um técnico jovem e de qualidade. Temos muita confiança nele e não estamos conversando com nenhum outro treinador", disse Odílio Rodrigues, vice-presidente, que voltou a assumir o comando do clube em razão de o presidente Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro estar em férias em Fortaleza.

Se depender apenas da opinião do vice não será uma derrota para o São Paulo que vai fazer com que o Santos saia a campo desesperadamente à procura de um novo treinador.

"Não devemos associar a permanência de Claudinei a resultados dos jogos porque isso criaria outro cenário. Claudinei tem toda a nossa confiança. Sem fazer comparações, ele está implantando a fórmula dele, treinos táticos, a metodologia dele e não podemos atrelar a resultados imediatos. É um trabalho no qual temos de apostar e acreditar."

Claudinei, por sua vez, encara a situação da mesma maneira. "Eu sei qual é o pensamento da diretoria. A minha situação não depende de um ou de outro resultado. Eles (dirigentes) sabem da minha conduta. E não acho que seja preponderante para a minha permanência o resultado do clássico."

A vantagem de Claudinei é conhecer bem os jogadores da base, com os quais ganhou títulos no sub-15, no sub-17 e no sub-20, além da Copa São Paulo deste ano, e se relacionar bem com os titulares mais antigos. Uma de suas primeiras providências ao assumir foi realizar mais treinos táticos e mudar o posicionamento dos jogadores, além de insistir em ensaios de jogadas defensivas e de ataque.

Mudanças no time. Adepto do futebol ofensivo, Claudinei tirou um volante de marcação, Renê Júnior, e fixou Arouca na cabeça da área, como no time de 2010, comandado por Dorival Júnior, para escalar Leandrinho, misto de meia e segundo volante que apareceu bem em três jogos sob o comando de Muricy, no ano passado, mas depois ficou esquecido.

Hoje, no clássico, Leandrinho completará o meio de campo formado por Arouca, Cícero e Montillo. Neilton também se tornou titular, como companheiro de Willian José.

Embora reconheça o potencial de Léo Citadini, Pedro Castro e Gabriel, entre outros, Claudinei sabe que, antes de lançar promessas, o Santos precisa ter um time confiante para servir de suporte para os garotos.

E um passo importante para isso será uma vitória sobre o São Paulo, ainda mais em território inimigo. Para Claudinei, mesmo que ele negue, o jogo de hoje será como uma decisão.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.