Santos prepara novo fundo de investimentos

A primeira batalha pelo futebol de Neymar começou em junho. Frente a frente, os poderosos Real Madrid e Barcelona. No início, parecia não haver limites para os dois clubes da Espanha. O Real largou na frente, oferecendo um salário de 5 milhões (cerca de R$ 12,3 milhões) por ano ao craque e o pagamento da multa rescisória de 45 milhões (R$ 111,15 milhões) do contrato do jogador com o Santos. Neymar teria de se apresentar ao Real em agosto passado. O Barcelona entrou no circuito, oferecendo 60 milhões (R$ 143 milhões) ao Santos e salários de R$ 11 milhões por ano ao atleta. E com um adendo: Neymar poderia se apresentar ao clube apenas em2013.

O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2011 | 03h05

Seduzido pela proposta do Barça, o Santos afastou o empresário Wagner Ribeiro, agente de Neymar, da negociação e fechou o acordo, conforme o Estado revelou no dia 4 de setembro. O Barcelona enviou dois de seus dirigentes jurídicos ao Brasil para concluir a transação com o clube santista no dia 5.

Quando tudo parecia definido, o Real Madrid reagiu. Dirigentes do clube espanhol pediram para o negócio com o Barça não ser fechado antes de Neymar e o Santos ouvirem uma nova proposta dos merengues.

Começava uma nova fase na complicada operação do Real pelo futebol de Neymar. Dirigentes do clube tinham conhecimento das manobras de Sandro Rosell, presidente do Barcelona e ex-agente da Nike na seleção brasileira, em torno do craque santista. Rosell esteve com o jogador na concentração da seleção durante a disputa da Copa América, em julho, na Argentina.

Vai e vem. Para evitar o golpe fatal de Rosell, o Real Madrid resolveu aumentar a sua oferta por Neymar, com o que os especialistas em negócios do futebol chamam de "contrato clonado." O Real, assim como o Barça, ofereceu 60 milhões (R$ 146 milhões) pela transferência do atacante. A diferença é que o Real propôs um sinal de 12 milhões (R$ 29,1 milhões) no ato da compra. O Barça oferecia um sinal de 10 milhões (R$ 24 milhões), mas em três parcelas.

Outro ponto a favor do Real: salários de R$ 17 milhões por ano ao jogador contra os R$ 11 milhões oferecidos pelo Barça, A operação final ficou em 120 milhões ( R$ 291 milhões), contando aí os gastos que o Real Madrid vai ter com Neymar em seis anos, que será o período de duração do contrato do atacante, conforme o Estado revelou na sua edição do dia 20.

Fechada a parte financeira, o Real despachou seu médico-chefe, Carlos Diez, para acompanhar o exame "pré-admissional da Uefa" que Neymar seria submetido - este é o último ato para um jogador ser negociado a um clube europeu. Os exames foram feitos entre as 22 horas da sexta-feira, dia 16, e a 1 hora do sábado, dia 17, conforme o estadão.com.br revelou na tarde do mesmo sábado.

Neymar e seu staff chegaram a negar a realização dos exames. Depois recuaram. O médico do Corinthians, Joaquim Grava, que acompanhou o jogador e os médicos a uma clínica particular e depois ao Hospital São Luiz, unidade Morumbi, confirmou, no dia 22, a realização dos exames.

Irritação. Segundo o presidente do Santos, as negociações em torno do jogador começaram mesmo em junho, quando dirigentes do Real Madrid e do Barcelona manifestaram à diretoria do clube interesse em ter Neymar. "Mas não há negócio fechado", afirma Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro. "Cadê a minha assinatura?", pergunta ele, irritado com as informações do Estado, que dão conta de que o jogador já foi vendido ao Real Madrid, mas as formalidades do negócio ficaram para depois da Olimpíada de Londres, em agosto. Segundo o presidente do clube, a situação de Neymar permanece a mesma de antes dos contatos com os espanhóis: ele tem contrato com o Santos até 2015.

O presidente do Santos se diz "chocado" com as notícias de que já teria vendido o jogador. Na noite de quarta-feira, Luis Alvaro disse ao Estado, por telefone, que considera "irresponsável" a divulgação da informação. Jornais da Espanha, porém, também publicaram na semana passada que fontes do Santos e do Real Madrid haviam garantido que o negócio estava fechado;

O dirigente santista admite que conversou sobre Neymar por diversas vezes com os presidentes, tanto do Barcelona quanto do Real Madrid. "Essas conversas são normais. Eles manifestaram interesse em junho", disse. "Mas não há venda nenhuma", afirmou.

De acordo com Luis Alvaro, a existência de intermediários entre jogadores e clubes é normal, como em qualquer mercado. "Mas jogador não é commodity", argumentou. Ele conta que quando assumiu a presidência encontrou cerca de metade da base do clube na mão de intermediários. "Hoje 70% dos direitos dos atletas são do Santos." / COLABOROU LUIS AUGUSTO MONACO

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