Santos prepara novo salário a Ganso

Na tentativa de acabar com a polêmica, clube pode oferecer aumento ao atleta mesmo com uma nova oferta do São Paulo para contratar o jogador

SANCHES FILHO / SANTOS , ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2012 | 03h08

SANTOS. TIAGO ALVES, REVELAÇÃO DA BASE, ESTÁ DE VOLTA AO CLUBE

A situação de Ganso no Santos, que era insustentável ontem cedo, está perto de sofrer uma reviravolta. Numa reunião do presidente Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro e do vice Odílio Rodrigues Filho com o jogador, ontem à tarde, no CT Rei Pelé, foi dado o primeiro passo para a reconciliação entre as partes.

O Santos oferece, em nome da paz, reajuste salarial e tratamento tão diferenciado igual ao dispensado a Neymar. Mas, em troca quer ouvir de Ganso a promessa de dedicação total e de que vai esquecer a ideia de ir para o São Paulo.

Ontem, o Tricolor fez uma nova proposta ao Santos de cerca de R$ 30 milhões por 100% dos direitos econômicos do jogador - o clube da Baixada insiste em receber R$ 53 milhões, valor da multa rescisória do contrato com o meia.

Depois de ser atingido por uma 'chuva de moedas' e xingado de mercenário ao sair de campo na quarta-feira, na Vila Belmiro, Ganso ficou assustado ao ouvir novas ameaças ao chegar ao Centro de Treinamento Rei Pelé, ainda na noite da quarta-feira, para pegar o seu carro - o local teve o muro pichado, com a frase "Ganso fora!". O meia só saiu do estacionamento do hotel Recanto dos Alvinegros com a chegada de mais três seguranças. Normalmente, ele só tem um.

Acompanhado pelos seguranças, Ganso voltou ontem à tarde ao CT Rei Pelé para fazer, com os demais titulares, um trabalho regenerativo, mas não apareceu no campo. Por enquanto a sua presença está confirmada no jogo contra o Sport, domingo à tarde, no Estádio dos Aflitos, no Recife, pela 21.ª rodada do Brasileiro.

Ultimato. A visita dos dirigentes foi a surpresa. Se não aceitar a proposta de trégua e de aumento e insistir em ir para o São Paulo, por não se sentir mais em segurança na Vila Belmiro, Ganso poderá 'forçar' o terceiro cartão amarelo para cumprir suspensão contra o Fluminense, na próxima quarta-feira, no Rio. Dessa forma, não estouraria o limite de seis jogos, podendo defender outro clube no atual Brasileiro.

"O Ganso está tranquilo e com a cabeça boa", garantiu Odílio Rodrigues, o vice do Santos, ontem à tarde, por telefone. "Eu e o presidente (Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro) conversamos com ele. A diretoria está do lado e apoiando Ganso", assegurou.

Mas, enquanto o presidente se mantém em silêncio, alguns de seus assessores já 'informavam', em off, no começo da tarde de ontem, que há a possibilidade de o Santos reajustar o salário mensal de Ganso, que atualmente é de R$ 130 mil.

Defasagem. Entre as muitas queixas do meia contra a diretoria é de ter um dos piores salários entre os titulares. Ganso jamais deu nomes, mas com certeza referia-se a Elano (R$ 500 mil), Borges (R$ 350 mil) e Ibson (aproximadamente R$ 300 mil), além de Alan Kardec e Rentería, que ganhavam bem acima do teto do clube, estipulado em R$ 150 mil mensais.

Os dirigentes santistas entendem que, se Ganso voltar a jogar bem, o investimento poderá ser recuperado com lucro, numa possível negociação no fim do ano. Agora, é esperar pelo próximo capítulo.

Executivos do Grupo Sonda, representante do jogador, não se manifestaram sobre um possível reajuste de salários que o Santos poderia oferecer ao meia.

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