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Santos recusa oferta tricolor e deve oferecer aumento a Ganso

Diretoria pretende apresentar ao meia um plano de carreira semelhante ao que foi feito com Neymar

SANCHES FILHO / SANTOS , ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2012 | 03h05

A situação de Ganso no Santos, que era insustentável ontem cedo, está perto de sofrer uma reviravolta. A diretoria do clube pretende fazer uma proposta de reajuste salarial, mas o São Paulo entrou no circuito no final da tarde e apresentou uma nova proposta pelo jogador (R$ 30 milhões), recusada com veemência pelos dirigentes santistas em nota oficial no site divulgada à noite.

"Lamentamos a insistência do São Paulo FC em enviar propostas com cifras muito abaixo do valor da multa, ignorando a nota oficial do Santos FC. Mais ainda: um dia depois de o São Paulo ter desistido da negociação em conversa telefônica entre o seu diretor Adalberto Baptista e o membro do Comitê de Gestão do Santos FC, Pedro Luiz Nunes Conceição. Por conta disso, tal como da primeira investida, rejeitamos liminarmente a segunda proposta encaminhada", diz a nota. O clube da Baixada insiste em receber R$ 53 milhões, valor da multa rescisória do contrato com o meia.

Ontem à tarde, no CT Rei Pelé, numa reunião do presidente Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro e do vice Odílio Rodrigues Filho com o jogador foi dado o primeiro passo para a reconciliação. O Santos oferece, em nome da paz, reajuste salarial e tratamento diferenciado, mas não no mesmo nível de Neymar.

Depois de ser atingido por uma "chuva de moedas" e chamado de mercenário ao sair de campo na quarta-feira, na Vila Belmiro, após a derrota por 3 a 1 para o Bahia, Ganso ficou assustado ao ouvir novas ameaças ao chegar ao Rei Pelé, ainda na noite de anteontem, para pegar o seu carro - o local teve o muro pichado, com a frase "Ganso fora!". O meia só saiu do estacionamento do Hotel Recanto dos Alvinegros com a chegada de mais três seguranças. Normalmente, ele só tem um.

Acompanhado pelos seguranças, Ganso voltou ontem à tarde ao CT para fazer um trabalho regenerativo, mas não apareceu no campo. Por enquanto a sua presença está confirmada contra o Sport, domingo, no Recife.

Ultimato. A visita dos dirigentes foi a surpresa. Se não aceitar a proposta de trégua e de aumento e insistir em ir para o São Paulo, por não se sentir mais em segurança na Vila Belmiro, Ganso poderá "forçar" o terceiro cartão amarelo para cumprir suspensão contra o Fluminense, na próxima quarta-feira, no Rio. Dessa forma, não estouraria o limite de seis jogos, podendo defender outro clube no atual Brasileiro.

"O Ganso está tranquilo e com a cabeça boa", garantiu Odílio Rodrigues, o vice do Santos, ontem à tarde, por telefone. "Eu e o presidente conversamos com ele. A diretoria está do lado e apoiando Ganso."

Mas, enquanto o presidente se mantém em silêncio, alguns de seus assessores já "informavam", em off, no começo da tarde, que há a possibilidade de o Santos reajustar o salário mensal de Ganso, que atualmente é de R$ 130 mil.

Defasagem. Entre as muitas queixas do meia é ter um dos piores salários entre os titulares. Ganso jamais deu nomes, mas com certeza referia-se a Elano (R$ 500 mil), Borges (R$ 350 mil) e Ibson (R$ 300 mil), além de Alan Kardec e Rentería, que ganhavam bem acima do teto do clube - R$ 150 mil mensais.

Os dirigentes santistas entendem que, se Ganso voltar a jogar bem, o investimento poderá ser recuperado com lucro, numa possível negociação no fim do ano. Agora, é esperar pelo próximo capítulo.

Executivos do Grupo Sonda, representante do jogador, não se manifestaram sobre um possível reajuste de salários que o Santos poderia oferecer ao meia.

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