Santos respeita Giovanni e festeja Neymar

Antes do jogo com o Mogi Mirim, a torcida homenageia o ex-ídolo. Depois, aplaude seu novo astro, na vitória por 3 a 0

Antero Greco, O Estadao de S.Paulo

16 de março de 2009 | 00h00

Há histórias de amor que não se perdem no esquecimento, mesmo após a separação. Giovanni comprovou, ontem à noite, no Pacaembu, que o carinho que a torcida do Santos lhe dedica se mantém intacto. Na primeira apresentação como rival, com a camisa do Mogi, o meia teve tratamento de astro, como no auge de sua passagem pela Vila, nos anos 90. Numa faixa enorme, com a frase "Giovanni é ídolo eternamente", os santistas mostravam gratidão pelo passado.A delicadeza nostálgica dos fãs com o 10 do Mogi Mirim terminou naquele gesto. Quando a bola rolou, Giovanni passou a ser apenas um adversário a mais. As atenções se concentraram no jovem Neymar, que estreou como titular do Santos e deixou sua marca na vitória por 3 a 0, no jogo que fechou o domingo no Campeonato Paulista. Os mais de 16 mil torcedores tiveram de esperar a etapa final para festejar o resultado. No primeiro tempo, o time de Vágner Mancini voltou a negar fogo, assim como havia feito no 1 a 1 com o Paulista, no meio da semana. O Mogi Mirim ficou dentro de sua média de mediocridade, para desencanto da torcida e de Giovanni, a estrela perto do fim de carreira num clube que se reaproxima da Série A2.Mancini havia prometido equipe mais ousada, apesar dos desfalques de Madson, Kleber Pereira, Rodrigo Souto e Roberto Brum. Faltou combinar direito com seus jogadores, para que a promessa logo fosse paga. O Santos passou a primeira parte do desafio preso à marcação do Mogi, que praticamente não abandonou sua metade de campo. A compensação vinha com ensaios de pedaladas de Neymar. O menino-prodígio santista proporcionou o melhor lance, aos 43, quando deixou Paulo Henrique Lima, o Ganso, livre para o chute. Marcelo Cruz defendeu. "Jogar com o Neymar é fácil", disse Paulo Henrique.No segundo tempo, o nó se desfez, pois o Santos teve nova atitude, para usar um termo que os técnicos tanto apreciam. Mais solto, mais leve, abusado e ligado, encurralou o Mogi. Daí para garantir a 8.ª vitória em 14 jogos foi questão de tempo, paciência e uma boa dose de talento. Como no primeiro gol, aos 12 minutos: Roni aproveitou rebatida confusa da defesa e serviu Paulo Henrique, que só tocou.O gol tirou um peso das costas do Santos. As jogadas de ataque se tornaram comuns, o goleiro Marcelo fez novas defesas e levou sustos, como numa cabeçada de Roni na trave aos 15. O bombardeio se transformou outra vez em gol aos 23 minutos, quando Roni aproveitou passe de Luizinho. O Mogi acabou ali.Faltava o gol de Neymar, para o público sentir que o fim de semana valeu a pena. Satisfação garantida aos 27, com Neymar desviando de cabeça cruzamento da esquerda. Com direito a festejar com soco no ar como um tal Pelé. O torcedor santista foi para casa animado, mas mais nostálgico do que nunca. Esse Neymar...

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