Santos vence jogo quente e pode até perder na Vila

Meninos da Vila abrem 2 a 0, permitem empate do São Paulo, fazem gol decisivo no fim, em falha de Rogério, e ficam perto da final

Amanda Romanelli e Giuliander Carpes, O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2010 | 00h00

Não faltou emoção no primeiro clássico das semifinais do Campeonato Paulista. E todos os deslizes foram punidos. Quem errou menos foi o Santos e a equipe que acabou a primeira fase na liderança da competição começou na frente, fez dois gols, mas recuou e sofreu o empate. Aproveitou-se de falha de Rogério para levar vantagem para o jogo da volta: 3 a 2. Pode até perder por um gol na Vila Belmiro que ainda assim vai à final.

Na hora da decisão, os treinadores esqueceram a cautela. Tanto o São Paulo quanto o Santos entraram com times fortes no ataque - as formações costumeiras dos últimos jogos, é verdade. Estilos que começam a ficar mais parecidos, os visitantes apostando desde o início da temporada na qualidade e velocidade de Robinho, Neymar, André e Ganso, enquanto os donos da casa se encontraram apenas nos últimos jogos, também na mesma base. Marlos seria a peça para, ao lado de Jorge Wagner, dar mais rapidez à equipe são-paulina.

Formações ofensivas, muitos gols, certo? Sim. Cada equipe jogou melhor em um tempo. Mas o São Paulo deixou escapar a chance de reagir e chegou a uma marca negativa de cinco clássicos perdidos no ano.

O emocionante clássico teve, no entanto, um ponto negativo: apenas 35.695 pagantes. Muito pouco para a importância do duelo e o bom nível de futebol que as equipes vêm apresentando. Quem foi ao Morumbi viu grandes lances, bonitos gols e algumas jogadas mais ríspidas.

O São Paulo começou a partida atacando, chutando a gol principalmente de fora da área. Mas aos poucos o Santos começou a mostrar seu toque de bola e a dominar, muito embora a equipe visitante não tenha conseguido chutar a gol mesmo depois de sair na frente do placar, aos 25 minutos do primeiro tempo.

Como? O gol do Santos foi marcado por Junior Cesar, contra. Em mais uma troca de passes dos Meninos da Vila, o veterano Leo fez cruzamento rasteiro que ia para o interior da área. Só que no meio do caminho havia as pernas do desavisado lateral-esquerdo são-paulino. Leo comemorou o gol como se fosse seu. E aí começaram as dancinhas.

A vantagem do Santos aumentou. Mais ainda quando, minutos mais tarde, o homem que havia mudado o São Paulo nos últimos jogos, perdeu a linha. Marlos atingiu Robinho e foi expulso. Rogério Ceni correu até a intermediária para reclamar com o árbitro Marcelo Rogério. O time da casa passou então a ser envolvido pela molecada santista. Logo surgiu mais um gol, aos 40 minutos, jogada de Neymar para André finalizar.

A sensação da torcida tricolor, no Morumbi, era de que tudo já estava perdido. Se dependesse do discurso santista, a vantagem aumentaria no segundo tempo. "Vamos tentar fazer mais gols para matar a partida", afirmou Paulo Henrique Ganso.

Não passou de impressão. Tanto o Santos parou quanto o São Paulo melhorou na segunda metade do jogo, depois da entrada de Cicinho. A inércia santista acabou punida. Aos 8 minutos, Hernanes acendeu a reação. O volante chutou de fora da área e marcou. Nada de dancinha agora. Fato, porém, é que a atmosfera do Morumbi mudou. Pouco depois, aos 22, outro golpe: Dagoberto aproveitou cruzamento de Cicinho para fazer de cabeça 2 a 2. O estádio ficou em chamas.

A incerteza dominou as duas torcidas. Qualquer deslize seria fatal. Ainda em condição boa, o Santos reorganizou-se e voltou a tocar a bola. O São Paulo queria mais, buscava reverter o placar para a partida de volta na Vila Belmiro. Os donos da casa acenderam o fogo, mas se queimaram. Rogério falhou, não alcançou cruzamento de Madson. E Durval marcou: 3 a 2 Santos e grande vantagem para a decisão de domingo.

CHAVES DO JOGO

Gol contra e expulsão

O primeiro gol do Santos, aos 25, derrubou o São Paulo, que se complicou ainda mais com a expulsão de Marlos, um dos destaques do time nos últimos jogos

Hernanes e a garra tricolor

O volante são-paulino liderou o time, fez um belo gol e empurrou os companheiros em busca do empate, que parecia improvável depois de o rival ter aberto 2 a 0

Durval e a falha de Ceni

O jogo se encaminhava para o empate, mas o pouco badalado zagueiro Durval tratou de decidir para o Santos, no fim, aproveitando falha de Rogério

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