Thales Stadler/Divulgação
Thales Stadler/Divulgação

São Bernardo joga a vida na Superliga contra o RJX nesta terça-feira

No ABC, equipe enfrenta o rival milionário e precisa da vitória para levar decisão da vaga ao 3º jogo

ALESSANDRO LUCCHETTI, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2013 | 02h05

SÃO PAULO - Sobras da verba injetada pelo antigo patrocinador, o banco BMG, muito idealismo e uma base que cresceu unida empurram o São Bernardo num duríssimo desafio nesta terça-feira, a partir das 18h30, contra a milionária equipe do RJX, bancada por Eike Batista.

O time do Rio venceu a primeira partida e pode fechar a série com nova vitória, no ABC paulista. Mas antes terá de dobrar a resistência dos gigantes comandados por Roberley Leonaldo, o Rubinho, que é auxiliar de Bernardinho na comissão técnica da seleção brasileira. A média de altura de São Bernardo (2,01m) é a mais elevada da atual Superliga.

No ano passado, São Bernardo vendeu caríssimo a série de quartas de final que disputou contra o Sada/Cruzeiro, que terminou como campeão. O time paulista venceu a segunda partida, forçou o terceiro jogo e chegou a liderar o tie-break com 8 a 5, mas tomou a virada. "Saímos derrotados, mas foi uma situação menos terrível do que poderia ser. A equipe conseguiu fazer praticamente tudo o que poderia", recorda Rubinho.

Este ano, São Bernardo não conseguiu escapar da oitava colocação, o que o lançou para um mata-mata no qual se presume que seu destino seja morrer. Afinal, terá pela frente uma equipe com Bruninho, Lucão e Dante, entre outros selecionáveis. "Tivemos muitas lesões e acidentes de jogos, como fraturas. Apenas em 25% das partidas contamos com todo o elenco", lamenta Rubinho, que teve de se virar sem Renan, gigante de 2,17m, Pedrinho e Alemão. O elenco de São Bernardo tem apenas 13 jogadores, o que limita muito as opções do time.

A situação poderia ser mais delicada não fosse a presença de Joel que, aos 38 anos, está cumprindo um papel importantíssimo, segundo Rubinho. Herói da classificação do Brasil para os Jogos Olímpicos de Sydney, o oposto é o reserva de Renan. "Além de corresponder todas as vezes em que entra em quadra, ele tem sido muito valioso por sua experiência, pelas conversas com os nossos jogadores e a liderança que exerce", enfatiza Rubinho.

Um dos jogadores que agradecem pela presença de Joel é o central Isac, uma das revelações da Superliga. Sétimo melhor sacador, o fluminense de São Gonçalo, de apenas 22 anos, é uma das esperanças de Rubinho para quebrar o passe do adversário. "Ele tem ajudado muito a gente", atesta o meio de rede de 2,07m.

Após o treino, Rubinho ficou mais de uma hora repassando minuciosamente cada detalhe da mecânica do jogo do RJX. Moldado ao estilo de Bernardinho, ele exige a máxima concentração para que a equipe tenha chance de combater o forte adversário. Uma boa impressão hoje pode ajudar o time em outra dura batalha, a de obter patrocínio.

Existe o risco até de que a equipe acabe, mas o mais provável é que permaneça com um orçamento mais modesto, caso não consiga uma empresa disposta a investir no projeto. "É muito perigoso reduzir o investimento. Seria um retrocesso", diz Rubinho, que já recebeu polpudas ofertas para comandar equipes mais fortes, mas é fiel a São Bernardo. Ele faz parte da equipe desde 2001, quando era auxiliar de Mauro Grasso no Banespa. Em 2004/2005, São Bernardo foi campeão da Superliga.

São Bernardo mantém duas das nove divisões de base que já teve no masculino. No feminino, resistem sete. Ao todo, mil crianças e adolescentes praticam a modalidade graças ao projeto.

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