São Caetano volta atrás: vai contratar 600 atletas

Mas nem todos os integrantes do grupo de 726 que ficou sem contrato no fim do ano passado terão prioridade

Valéria Zukeran, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2011 | 00h00

A cerimônia de lançamento do Centro de Detecção de Talentos e de novas parcerias entre a Prefeitura Municipal de São Caetano do Sul com as Confederações Brasileiras de Vôlei e Basquete para categorias de base teve seus bastidores agitados pela promessa do secretário de Esportes e Turismo do município, Mauro Chekin, da contratação de 600 atletas - parte deles integrantes do grupo de 726 que não tiveram seus contratos renovados no fim do ano passado.

O episódio é uma amostra da frágil relação entre esporte e poder público. Nas últimas duas décadas, São Caetano Sul tornou-se um dos grandes polos esportivos do Estado de São Paulo e também do Brasil, com equipes de vôlei, basquete, judô, entre outras. Das últimas 14 edições dos Jogos Abertos do Interior, a cidade venceu 13.

No fim de 2010,porém, 726 atletas dos 1020 de alto rendimento da cidade receberam a notícia de que não teriam contratos renovados. Somente os de seis equipes (atletismo, ginástica, futsal masculino, vôlei masculino e feminino e basquete feminino), todas com patrocinadores próprios, foram mantidos.

A justificativa foi de que a prefeitura havia decidido reestudar os gastos e mudar o foco de seus investimentos para os setores de esporte comunitário e de categorias de base. A recontratação de parte dos atletas, porém, não estava descartada. "Não deram muita explicação. Disseram que iam priorizar saúde e educação", contou o judoca Carlos Honorato, um dos afetados pela decisão.

O fato teve um impacto negativo no meio esportivo e chegou a preocupar até atletas sem vínculo com a cidade. "Com a Olimpíada de 2016 pela frente é má notícia saber do fechamento de equipes como a do judô do São Caetano. Agora é que precisamos mais dos clubes", comentou o vice-campeão mundial de judô Leandro Guilheiro.

A prefeitura informou que teve de diminuir gastos em todas as pastas (em média 15%) e o Esporte teve uma redução de receita de R$ 1 milhão. "E precisávamos rever o modelo de gestão esportiva da cidade que estava desgastado", justificou o prefeito José Auricchio Júnior (PTB). "Já fomos predadores, contratando gente de fora. Agora queremos formar e manter nossos atletas."

Sobre a decisão de contratar 600 pessoas via clubes municipais, fortalecendo 17 modalidades que corriam risco de extinção, Chekin negou que a prefeitura tenha voltado atrás e falou que não anunciou antes "porque senão vocês (jornalistas) não estariam aqui (na cerimônia de lançamento)." Segundo ele, "era mais fácil começar do zero do que reformar."

Com a nova política, terão prioridade atletas jovens, que passarão por avaliações físicas antes da contratação. O número de "medalhões" vai diminuir mas nomes como Diogo Silva, do tae kwon do, e Edinanci Silva, do judô, foram mantidos. Os salários vão variar de R$ 100,00 a R$ 5 mil. Segundo Chekin, alguns atletas ganharão menos do que antes.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.