São Paulo afunda e Ceni faz gol contra histórico

Foi pior do que qualquer pessimista poderia prever. Jogando um futebol abaixo da crítica, o São Paulo foi atropelado pelo Náutico, perdeu por 3 a 0 e começa a dar adeus a qualquer pretensão de título. Se continuar atuando como ontem, o Tricolor deve sim é começar a planejar com calma a próxima temporada, pois não chegará a lugar algum.

FERNANDO FARO, O Estado de S.Paulo

16 de agosto de 2012 | 03h04

Tudo que parecia ter sido consertado se perdeu no Recife. A equipe que tinha enfim um mínimo padrão tático e comportamento coletivo foi definitivamente enterrada a cada lance grotesco ou falha individual. A partida parecia ideal para recolocar o Tricolor na briga pelo G-4 antes de a bola rolar, graças ao tropeço do Grêmio e ao empate entre Cruzeiro e Fluminense. Bastava ganhar de um adversário tecnicamente inferior para o discurso sobre voltar à briga pelas primeiras colocações voltar à boca dos jogadores e o sonho já remoto voltar a dar as caras. Mas nem isso foi capaz de motivar uma equipe perdida e assustada.

Sintoma do descontrole da equipe foi a substituição de João Filipe (que conseguiu a proeza de levar um cartão amarelo com cinco minutos de bola rolando e voltou a largar a defesa para se lançar ao ataque) por Casemiro com dez minutos. Ney Franco tentava corrigir o erro inicial da escalação, mas nem deu tempo de o time respirar. Um minuto após a troca, Rafael Toloi errou na hora de afastar um cruzamento e em seguida interceptou a bola com o braço. Pênalti, convertido por Kieza. Antes disso Rogério Ceni já havia feito um milagre e Araújo perdeu um gol na linha da pequena área. Era o prenúncio de que os aflitos da noite seriam os torcedores da equipe paulista.

Ao invés de acordar, o gol só encolheu ainda mais o Tricolor, que não conseguia construir uma jogada de ataque. Ademilson se escondeu atrás dos marcadores e deixou a responsabilidade nas costas do improvisado Cícero. Cortez e Douglas apoiavam mal, e o segundo ainda foi desastroso defensivamente. Além das bolas nas costas, caiu pateticamente em finta de Rhayner no lance que originou o gol de Araújo, que aproveitou o rebote de Rogério Ceni. Quem visse de fora poderia tranquilamente dizer que o time que conta com um dos elencos mais caros do País era o Náutico, que atormentava a defesa a cada ataque e levava perigo, especialmente com Rhayner, Araújo e Souza.

Calvário. O fim do primeiro tempo veio com ar de alívio e com a esperança de que os minutos de descanso fossem ajudar a corrigir os inúmeros erros coletivos e individuais. Em vão. Os pernambucanos continuaram mandando na partida e ampliar o resultado era questão de tempo, mas nem o mais fervoroso torcedor Tricolor imaginaria que caberia ao goleiro e ídolo Rogério Ceni pôr a pá de cal de maneira tão grotesca. Em cobrança de escanteio, o ídolo tricolor socou a bola, que pegou efeito contrário e morreu no próprio gol. Um símbolo perfeito do atual momento do São Paulo, equipe que parece não ter a atitude e qualidade necessárias para sonhar com algo além de uma posição intermediária na classificação. Partidas como a de ontem mostram que não merece nada além disso.

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